quarta-feira, 25 de maio de 2011

o poder eleitoral da direita

Ao longo da História a Direita tem comandado os destinos da humanidade; durante séculos fazendo uso de totalitarismos e opressão baseada no uso da força. Mas, no último século, um pouco por todo o mundo, as democracias têm vingado e crescido. Contudo, estranhamente, num contexto democrático, a Direita continua a manter um forte poder, desta vez eleitoral. Fazendo um bypass da desconstrução das opções políticas de Direita, já exaustivamente deitadas por terra neste blog, pergunto-me: qual a razão de ser do poder eleitoral da Direita?

Comecemos por um pequeno desvio, o qual não pretende sugerir nada mais do que uma organização de formas de agir e suas consequências. Refiro-me às chamadas Leis Fundamentais da Estupidez Humana, criadas pelo economista italiano Carlo Cipolla, que pretendem categorizar alguma distribuição comportamental associada às ações humanas: em que forma as nossas ações nos (des)favorecem e, ao mesmo tempo, (des)favorecem os outros. Numa imagem:


Cipolla categoriza as pessoas "inteligentes" como aquelas cujas ações favorecem o indivíduo, ao mesmo tempo que favorecem os outros; as "ingénuas" ou "altruístas" como aquelas cujas ações prejudicam o indivíduo, ao mesmo tempo que favorecem os outros; as "estúpidas" como aquelas cujas ações prejudicam o indivíduo, ao mesmo tempo que prejudicam os outros; e, finalmente, os "bandidos" ou "vigaristas" como aquelas cujas ações favorecem o indivíduo, ao mesmo tempo que prejudicam os outros. Tudo isto organizado em 4 quadrantes bastante explícitos.

Apresentada a estrutura essencial, e baseando-nos sobre a desconstrução das opções políticas de Direita, exaustivamente feita neste blog, que nos mostra essencialmente que estas levam a uma vida pior para a grande maioria da sociedade, podemos finalmente tentar categorizar os eleitores que votam à Direita. Não é difícil adivinhar que nos vamos deparar com uma estrutura semelhante à anterior, com exceção do segundo quadrante.

Assim, existem três razões principais para um eleitor decidir votar à Direita:

1. O eleitor não conhece a história política, sócio-económica; não conhece bem as propostas apresentadas pela Direita, deixa-se enrolar no discurso demagógico ou populista; acaba a votar numa opção política que o irá prejudicar, bem como a larga maioria dos cidadãos.

2. O eleitor conhece a história política e sócio-económica; conhece as propostas apresentadas pela Direita; mas realmente não tem consciência ou não se dá ao trabalho de explorar as implicações últimas dessas propostas e o que estas realmente significam no sentido de prejudicar a grande maioria da população; acaba a votar numa opção política que o prejudica, bem como aos outros.

3. O eleitor conhece a história política e sócio-económica; conhece as propostas apresentadas pela Direita e sabe corretamente o que estas implicam. Em particular, sabe que irão prejudicar a maioria da sociedade mas que uma minoria, à qual pertence, irá sair a ganhar face a todos os outros. Sem escrúpulos, vota de forma a sair beneficiado ao mesmo tempo que prejudica a larga maioria.

O papel da Esquerda, dos eleitores que, conscientes de todas as reais opções, sabem que o melhor caminho é aquele em que todos saiem a ganhar, passa também por contribuir, através do esclarecimento, para mover o centro da distribuição de escolhas eleitorais bem para dentro do primeiro quadrante.

Nota Final: Este post é naturalmente dedicado ao Eduardo Catroga,

«[...] Eduardo Catroga pede aos portugueses para serem «suficientemente inteligentes», nas legislativas de 5 de Junho [...]» [1]


[1] --- Catroga diz que «quem levou o país à falência deve ser expulso», TSF [Maio 2011]