terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Qual será o próximo líder do CDS/PP?

Novo inquérito na barra lateral.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Fragmentos de um delírio maoísta

  • «Entende esta canalha revisionista reaccionária que, no passado dia 13 de Novembro, houve um massacre cometido pelos islamitas em Paris (...) Se se questionassem sobre as causas reais do acontecimento, teriam compreendido, com toda a facilidade e meridiana clareza, que o massacre não é um massacre mas um ataque militar superiormente organizado e conduzido ao coração do imperialismo gaulês, infligindo uma pesada e demolidora derrota ao maior exército e à maior organização policial do continente europeu. (...) Não é o islamismo, mas o imperialismo a causa real, verdadeira e única do ataque a Paris. Agora os franceses já sabem que a guerra de rapina movida pelo imperialismo francês em África e no Oriente Médio tem como consequência inevitável a generalização da guerra à própria França, à capital desse mesmo imperialismo moribundo. E atenção: não só não foi um massacre, como foi um acto legítimo de guerra; não foi cometido por islamitas, mas por jiadistas, isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês; e acima de tudo – coisa que estes revisionistas de pacotilha intentam ocultar – foi praticado por franceses, nascidos em França, vivendo em São Dinis e noutros bairros do Paris suburbano. (...)

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pode 90% da actividade de um serviço do Estado ser ilegal?

Sim, pode.
  • «O ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho afirmou que o segredo de Estado serve para proteger o ‘modus operandi´ das secretas, que é “90 por cento ilegal”.» (Observador)
Pode o superior dos superiores hierárquicos colaborar em ilegalidades e manter-se em funções? Sim, pode.
  • «A decisão de espiar o telemóvel [do jornalista Nuno Simas] foi tomada com o conhecimento do seu superior hierárquico Júlio Pereira – que, ainda hoje, dirige as secretas, é secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) (...).» (Público)
Podem os cidadãos ficar indiferentes perante isto? Podem, mas não devem.

domingo, 15 de novembro de 2015

O «Estado Islâmico», o terrorismo e a religião

O objectivo do terrorismo é aterrorizar. Levar-nos a suspender a nossa capacidade de reacção e a nossa racionalidade. No caso da organização «Estado Islâmico» (EI), o objectivo mais imediato dos atentados de Paris poderá ser tentar a suspensão dos bombardeamentos aéreos que nos últimos meses têm feito diminuir a área que ocupa. Alguns argumentarão que o objectivo poderá ser o contrário: obter uma invasão que confirme profecias apocalípticas. Nesse caso, será difícil explicar que o EI tenha esperado por 2015 para iniciar a sua campanha terrorista na Europa.
Um efeito colateral do terrorismo é a desumanização de quem o perpetra. Os que expressam a sua condenação do EI recusando-lhe qualquer racionalidade ou até humanidade, dão largas a uma indignação justa e inteiramente compreensível, mas perdem capacidade de compreensão e portanto de resposta. «Patologizar» os terroristas chamando-lhes «loucos» ou «bestas» não nos ajuda a debater como os vamos impedir de repetir os seus atentados.

A ideologia do «Estado Islâmico» é conhecida e enunciada articuladamente pelos próprios. Querem restaurar o califado (ou afirmam mesmo já o ter feito), e portanto estabelecer um Estado baseado na interpretação mais fundamentalista do Islão. Muitos na Europa, à esquerda e à direita, resistem a aceitar que o Estado Islâmico seja aquilo que diz ser. Ao contrário do que acontecia com o IRA ou com a ETA, aos quais nunca foi negado que tinham o objectivo de unir a Irlanda ou separar Euskadi, ao «Estado Islâmico» recusam que tenha objectivos islâmicos. A razão é simples: em pleno século 21, há ainda quem não queira aceitar que da religião possa vir o mal.
E no entanto: o programa político que o «Estado Islâmico» concretizou no território que controla só difere do programa da Irmandade Muçulmana no grau de radicalismo e nos métodos. Os fundamentos são os mesmos. Aliás, não tem sido suficientemente sublinhado que a Arábia Saudita executa pessoas por dissidência religiosa e por comportamento sexual recorrendo à mesma jurisprudência que o «Estado Islâmico». Não costumam é filmar e postar no youtube. O «Estado Islâmico» não é menos islâmico do que a Arábia Saudita ou do que as monarquias do Golfo. Anda é mais mal visto.

E sendo verdade que o «Estado Islâmico» não representa todo o Islão e que mata mais muçulmanos que pessoas de outras religiões, não se ganha nada em negar a sua inspiração religiosa.

sábado, 14 de novembro de 2015

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O meu problema com quem se acha imparcial

João Miguel Tavares assina hoje um texto no Público chamado "O meu problema com a esquerda", onde condescendentemente diz que a esquerda tem problemas com os factos.
Comecei a ler com uma certa esperança: alguém tinha dado dois passos atrás para ver as coisas em perspectiva, depois voltando à sua posição e escrito sobre o que tinha visto. Teria sido um exercício interessante, fosse de esquerda ou direita.
Perdi a
esperança a meio quando ele resume o seu ponto: a esquerda tem problemas com os factos objectivos. Se ele se tivesse dado ao trabalho de pelo menos ler o que diz a malta da esquerda, veria que a esquerda diz exactamente o mesmo: a direita tem problema com os factos objectivos. E diz isso constantemente. Afinal não deu um único passo atrás.

Quantos aos "factos" em si que ele refere, aqueles com os quais a esquerda teria problemas em lidar, e incorrendo n
o erro de confundir este governo com a direita (é o que tenho mais à mão) apraz-me dizer o seguinte:
"a nossa capacidade de produzir riqueza" - este governo foi o primeiro a deixar um PIB menor do que quando entrou, e deixa ainda um investimento igual ao de décadas atrás;
"de pagar a dívida" - este governo foi o recordista em subida do peso da dívida na economia, e o recordista em falhar metas do défice (12 orçamentos numa legislatura!);
"de influenciar o rumo político em Bruxelas" - este governo foi constantemente referido por vários outros governos, como o que mais se deixava ir com a corrente;
"enfrentar a crise demográfica" - os dados de 2014 acabaram de sair, e Portugal voltou a perder população, voltou a haver dezenas de milhares a emigrarem, e o número de nascimentos está 20% abaixo do que eram quatro anos antes.


Por último, João Miguel Tavares mostra algum desconforto com a frase do Jerónimo (que ele tenta colar a António Costa),
gostava que um economista me explicasse por que é que o défice tem que ser de 3% em vez de 4%”, pessoalmente eu também gostaria que algum economista (que não eu) me explicasse isso.

Adenda: parece que Bagão Félix também não entende os tais 3%, mas felizmente foi à procura, e percebeu que foi escolhido aleatoriamente.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O IVA na electricidade

A imprensa tem dado conta do finca-pé do BE na descida do IVA da electricidade para 6%, e como isso tem impedido o acordo com o PS. Tenho uma enorme dificuldade em perceber o porquê.
Se for por questão de princípio, poderíamos decretar a morte ideológica do BE.
Se é uma questão de justiça social, vêm-me à cabeça dúzias de maneiras socialmente mais justas de baixar a carga fiscal - nem que seja porque está em causa uma descida de impostos que beneficiaria todas as classes de rendimento - ou de aumentar as despesas sociais do Estado.
Ironicamente, ao querer baixar o preço final da electricidade, e por consequência aumentar o seu consumo, o BE está a fazer um grande favor ao sector eléctrico (o tal das enormes rendas) e cometer um erro de política ambiental.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Das "tradições" da democracia portuguesa

Gosto muito desta tradição recém-inventada de indigitar o líder do partido mais votado como PM. Olhando para as decisões no passado, também se poderia inventar a tradição de indigitar quem oferece uma maioria mais estável no parlamento, mas essa tradição já não dá tanto jeito.
O que tem sido realmente tradição é um e outro serem a mesma pessoa, e essa tradição foi quebrada. Agora cabe ao PR decidir, a Constituição dá-lhe discricionariedade.