sexta-feira, 29 de junho de 2012
Pedro Nuno Santos
Já neste blogue se escreveu sobre Pedro Nuno Santos. A última entrevista que prestou ao jornal i mostra que tenta travar as batalhas que, a meu ver, merecem ser travadas.
Creio que merecem particular destaque as seguintes declarações:
«Tinha a expectativa que o PS fosse mais afirmativo?
O que eu achava era que nalguns momentos – na discussão do Orçamento do Estado, do Código do Trabalho e do Pacto Orçamental – podíamos ter tido uma posição diferente. E a partir do momento em que não estava a conseguir influenciar algumas dessas posições entendi não continuar na direcção do grupo parlamentar.[...]
Os militantes do partido compreendem as sucessivas abstenções do PS em temas como o Orçamento ou o Código do Trabalho?
Admito que há uma parte considerável da militância do partido que acha que o PS devia ser mais interventivo na forma como faz oposição. E eu próprio. [Infelizmente o discurso que se segue aqui pretende justificar as abstenções em causa][...]
Uma posição mais dura com a troika é uma das ideias que une a esquerda num congresso que vai realizar-se a 5 de Outubro. O actual momento cria condições para uma aliança entre o PS e os partidos à sua esquerda?
Primeiro, estamos longe disso. Nem acho que neste momento faça sentido falar de coligação entre os partidos de esquerda, porque há muito trabalho para fazer antes. Portugal é praticamente o único país da Europa em que a esquerda não consegue trabalhar em conjunto.
O PS quando precisou de se aliar procurou sempre o PSD ou o CDS...
Creio que merecem particular destaque as seguintes declarações:
«Tinha a expectativa que o PS fosse mais afirmativo?
O que eu achava era que nalguns momentos – na discussão do Orçamento do Estado, do Código do Trabalho e do Pacto Orçamental – podíamos ter tido uma posição diferente. E a partir do momento em que não estava a conseguir influenciar algumas dessas posições entendi não continuar na direcção do grupo parlamentar.[...]
Os militantes do partido compreendem as sucessivas abstenções do PS em temas como o Orçamento ou o Código do Trabalho?
Admito que há uma parte considerável da militância do partido que acha que o PS devia ser mais interventivo na forma como faz oposição. E eu próprio. [Infelizmente o discurso que se segue aqui pretende justificar as abstenções em causa][...]
Uma posição mais dura com a troika é uma das ideias que une a esquerda num congresso que vai realizar-se a 5 de Outubro. O actual momento cria condições para uma aliança entre o PS e os partidos à sua esquerda?
Primeiro, estamos longe disso. Nem acho que neste momento faça sentido falar de coligação entre os partidos de esquerda, porque há muito trabalho para fazer antes. Portugal é praticamente o único país da Europa em que a esquerda não consegue trabalhar em conjunto.
O PS quando precisou de se aliar procurou sempre o PSD ou o CDS...
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Acabou a alienação, voltemos às telenovelas
Acabou a participação de Portugal no europeu, que alívio! Os portugueses vão poder a voltar concentrar-se no que interessa, nas telenovelas e nos romances que envolvem dirigentes desportivos (confiram as grelhas dos principais canais em horário nobre). Vão poder voltar às estimulantes aventuras de personagens de novela que não trabalham, que passam a vida em casas e lugares sofisticados e cuja única atividade a que se dedicam é a cochichar sobre a vida alheia. Para os que não gostam há sempre alternativas, as aventuras sexuais de Pinto de Costa, conspirações de árbitros e belas reportagens sobre o treino do dia de um dos três grandes. Aleluia, estava a ver que não!
As três asneiras de Michael Seufert
Michael Seufert tem uma proposta arrojada. Quando a defende, tomamos conhecimento dos vários pressupostos nos quais se baseia para considerá-la pertinente. Tratam-se de verdadeiros «mitos urbanos»: afirmações que muitos tomam como verdadeiras pela quantidade de vezes que já as ouviram repetidas, mas que são contrariadas pelos factos. Quis portanto aproveitar as declarações deste deputado do CDS, no contexto da notícia sobre a sua proposta, para desmistificar estas mentiras:
Primeira asneira
«Para jovens com menos de 30 anos ou para quem procura o primeiro emprego, os contratos deviam ser "mais flexíveis"». Deviam?
Será que elevado desemprego jovem é devido ao facto do mercado laboral em Portugal ser particularmente rígido, em particular o mercado associado à mão de obra jovem? O que acontece é que o contrário é verdade: «Portugal tem um dos mercados de emprego mais flexíveis da UE», flexibilidade essa que está concentrada nos segmentos associados à população mais jovem.
Segunda asneira
«Palavra de quem faz do empreendedorismo – um dos pilares do programa – um dos temas de trabalho preferidos na Assembleia da República.» É o que faz falta em Portugal - mais empreendedorismo, certo?
Só que não. Trata-se de propaganda importada da direita norte-americana, com pouca aplicação à realidade nacional. Nenhum indicador mostra que existe falta de empreendedorismo em Portugal, mas existem vários indicadores que dão indícios em sentido contrário, desde a estrutura empresarial portuguesa demasiado fragmentada, até valores de auto-emprego que são mais do triplo dos norte-americanos e muito superiores aos da generalidade dos países desenvolvidos.
Terceira asneira
«"mas também é verdade que a licenciatura, o mestrado e o doutoramento não são um passaporte para o emprego"». Ninguém acredita que sejam. Mas será que a formação superior, ao contrário do que a frase anterior sugere, ajuda a encontrar emprego? E melhor pago? Ou será Portugal, como muitos dizem, um «país de doutores»?
Quando comparado com os países mais desenvolvidos, Portugal não tem licenciados a mais - tem licenciados a menos. A taxa de desemprego entre licenciados é significativamente menor que entre não-licenciados. Em Portugal, um licenciado ganha, em média, muito mais que um não licenciado, e o investimento em educação superior é dos mais rentáveis que um indivíduo pode fazer.
Bónus: a asneira irónica
A justificação que Michael Seufert dá para o facto da sua proposta poder comprometer a sustentabilidade da Segurança Social: «A ideia de ficar fora do sistema social não é coisa que o assuste: "É provável que a reforma que vou ter quando chegar aos 60 ou 65 anos, se é que vou ter, seja insignificante."».
É provável pois: se deixarmos políticos como Michael Seufert destruírem o sistema de Segurança Social, é razoável esperar que ele não exista daqui a umas décadas. E mais não digo.
Primeira asneira
«Para jovens com menos de 30 anos ou para quem procura o primeiro emprego, os contratos deviam ser "mais flexíveis"». Deviam?
Será que elevado desemprego jovem é devido ao facto do mercado laboral em Portugal ser particularmente rígido, em particular o mercado associado à mão de obra jovem? O que acontece é que o contrário é verdade: «Portugal tem um dos mercados de emprego mais flexíveis da UE», flexibilidade essa que está concentrada nos segmentos associados à população mais jovem.
Segunda asneira
«Palavra de quem faz do empreendedorismo – um dos pilares do programa – um dos temas de trabalho preferidos na Assembleia da República.» É o que faz falta em Portugal - mais empreendedorismo, certo?
Só que não. Trata-se de propaganda importada da direita norte-americana, com pouca aplicação à realidade nacional. Nenhum indicador mostra que existe falta de empreendedorismo em Portugal, mas existem vários indicadores que dão indícios em sentido contrário, desde a estrutura empresarial portuguesa demasiado fragmentada, até valores de auto-emprego que são mais do triplo dos norte-americanos e muito superiores aos da generalidade dos países desenvolvidos.
Terceira asneira
«"mas também é verdade que a licenciatura, o mestrado e o doutoramento não são um passaporte para o emprego"». Ninguém acredita que sejam. Mas será que a formação superior, ao contrário do que a frase anterior sugere, ajuda a encontrar emprego? E melhor pago? Ou será Portugal, como muitos dizem, um «país de doutores»?
Quando comparado com os países mais desenvolvidos, Portugal não tem licenciados a mais - tem licenciados a menos. A taxa de desemprego entre licenciados é significativamente menor que entre não-licenciados. Em Portugal, um licenciado ganha, em média, muito mais que um não licenciado, e o investimento em educação superior é dos mais rentáveis que um indivíduo pode fazer.
Bónus: a asneira irónica
A justificação que Michael Seufert dá para o facto da sua proposta poder comprometer a sustentabilidade da Segurança Social: «A ideia de ficar fora do sistema social não é coisa que o assuste: "É provável que a reforma que vou ter quando chegar aos 60 ou 65 anos, se é que vou ter, seja insignificante."».
É provável pois: se deixarmos políticos como Michael Seufert destruírem o sistema de Segurança Social, é razoável esperar que ele não exista daqui a umas décadas. E mais não digo.
Autor:
João Vasco
às
17:32:00
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O debate sobre a circuncisão na Europa
A circuncisão é praticada por pessoas de duas comunidades religiosas originárias do Médio Oriente. Por ser dogma dessas duas religiões, aceita-se na Europa que cortar parte da pele do pénis das crianças do sexo masculino, sem razões médicas, não seja crime. Nunca compreendi porquê: a paternidade (ou a maternidade) não podem, em qualquer sociedade civilizada, dar o direito aos pais de cortar partes dos corpos dos filhos. E se se trata de um dogma religioso tão importante, que esperem que as crianças tenham idade para dar o seu consentimento informado (lá para os dezasseis anos, por exemplo).
Felizmente, o assunto começa a ser debatido. Na Alemanha, um Tribunal de Colónia deliberou que o direito de uma criança à sua integridade física era mais importante do que os direitos dos pais. Na Noruega, discute-se a proibição pura e simples, e na Holanda há um apelo nesse sentido de uma associação médica.
Evidentemente, não vão tardar os gritos de «islamofobia» e «anti-semitismo» daqueles que acham que a «religião» e a «cultura» têm direitos sobre os corpos de crianças que nem idade têm para compreender o que lhes estão a fazer.
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
Autor:
Ricardo Alves
às
13:14:00
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quarta-feira, 27 de junho de 2012
É a economia livre, estúpido!
Mais uma vez foi muito interessante o Prós e Contras da passada segunda feira, subordinado ao tema “A nação posta à prova”, após um ano de governo de direita. No centro do debate esteve a política de austeridade, como não podia deixar de ser.
Boa prestação tiveram os opositores desta política: não eram "políticos", mas académicos, e não tinham um discurso formatado. Foram capazes de jogar ao ataque, coisa muito rara na esquerda, e marcaram muitos pontos. Particularmente bem esteve António Hespanha, ao questionar que benefícios trouxeram até hoje as privatizações e as parcerias público-privadas.
Do lado dos apoiantes da austeridade, o André Azevedo Alves foi a surpresa mais agradável do debate. Estou à vontade para o reconhecer pois foi das pessoas com quem mais polémicas tive na blogosfera. Ao contrário do que é (ou pelo menos era) costume no seu blogue, a alternativa liberal não foi apresentada como o "único caminho". Embora o André tenha frisado que alternativas como o não pagamento da dívida e a ruptura simples com a troika implicavam, para serem sustentáveis, a curto prazo défice zero. O André não abordou todas as possibilidades de renegociação da dívida, mas pelo menos neste ponto comportou-se como um académico e não como um propagandista. Bem ao contrário da sua companheira de bancada, Maria do Carmo Marques Pinto, para quem estava "fora de questão" o país não pagar a dívida nem cumprir os seus compromissos, sem sequer questionar quais desses compromissos eram efetivamente culpa do país e do povo. Quem tem mais dinheiro, como a Alemanha, deve poder fazer o que quiser com ele e, como tal, ditar as regras, no seu papel de mais forte; aos mais fracos, só resta cumprir. "Ouça, isto é uma economia livre!", argumentava a senhora, para defender a lei dos "mercados". Conceito curioso de liberdade, este.
Autor:
Filipe Moura
às
19:44:00
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Mais uma iniciativa para unir a Esquerda
O Congresso Democrático das Alternativas realiza-se no dia 5 de Outubro, e pretende unir todos aqueles que estão contra o extremismo das políticas que são agora impostas, com o objectivo de transferir riqueza dos menos para os mais poderosos.
Pelo Arrastão tive oportunidade de conhecer o texto da convocatória:
Pelo Arrastão tive oportunidade de conhecer o texto da convocatória:
terça-feira, 26 de junho de 2012
Vergonha para o PS
Ricardo Rodrigues foi considerado culpado dos crimes de atentado à liberdade de imprensa e atentado à liberdade de informação (o célebre caso do «roubo dos gravadores»). E todavia, o PS mantém-no como vice-presidente da bancada parlamentar. Vergonha.
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