quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A hegemonia alemã de Schulz e a de Merkel

Para quem segue com atenção o percurso de Martin Schulz, recentemente eleito presidente do Parlamento Europeu, as notícias da imprensa portuguesa desta manhã sobre as suas declarações, soaram bastante bizarras. Como é que um socialista e europeísta convicto, poderia chafurdar na mesma lama da democrata-cristã Angela Merkel, fazendo comentários paternalistas sobre a política interna de um outro estado membro? Talvez uma citação fora de contexto, ou uma má tradução, o que é tão comum na imprensa?
Schulz apressou-se a explicar-se. Escreveu no Twitter em português, e está prestes a dar uma conferência de imprensa para explicar que foi mal interpretado. Estamos a falar do Presidente do Parlamento, e não de um deputado qualquer, que se deu a este trabalho.
Angela Merkel, todas as semanas manda bocas sobre a política interna dos países do Sul da Europa. Nunca houve twitters, facebooks, muito menos conferências de imprensa.
Assim se topa um democrata.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jardim já não é o que era

Num comunicado fracote e mole, sem a chama (ou FLAMA) de outros tempos, o quase reformado ogre da Madeira diz que Angela Merkel (que trata cerimoniosamente de «chefe do governo alemão» e «chanceler») «produziu declarações ignorantes sobre a Madeira». Francamente: o comunicado é uma decepção. Eu contava com algum do som e fúria a que o Grande Alberto nos tinha habituado, quiçá um pouco de vernáculo dirigido à imperatriz europeia, e nada. Nem lhe chamou «bastarda», nem «louca», nem «filha da p***», nem «colonialista», nem «nazi», nem aludiu aos anos em que o «cont´nente» que Merkel lidera «sugou a Madeira», e nem sequer ameaçou que a Madeira sairia da UE.

Enfim, no final do comunicado lá lampeja um pouco do velho Jardim, quando nos diz que se «[adensa] o mistério do porquê da prioridade do combate à Madeira por pessoas com certas opções conhecidas». Infelizmente, Jardim não nos explica esta nova versão das suas conhecidas teorias de conspiração. Será que está a insinuar que a Merkel é um submarino da Stasi? Ou que há uma cabala dos Bilderbergs gays contra ele? Ou a oposição local estará a mando dos «colonialistas» de Bruxelas? Força, Jardim. Diga-nos o que sabe sobre esta terrível conspiração merkeliana contra a Madeira.

A peste islamofascista


Ontem à noite, na Universidade Livre de Bruxelas, a laicista Caroline Fourest foi impedida de falar por provocadores islamistas. Cenas como esta são, infelizmente, cada vez menos raras na Europa. Os radicais islamistas pressionam, intimidam, condicionam comportamentos. Para eles, laicidade é «islamofobia».
Note-se que os selvagens do vídeo incluem algumas mulheres de cara tapada que gritam «burca/bla/bla».

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]

E a terra das oportunidades é... a Escandinávia

Toda a gente sabe que as economias mais liberais, como os Estados Unidos e a Inglaterra, são onde o Estado é um empecilho menor ao sucesso económico de cada um, certo? Não há um estado pesado que corta as pernas ao empreendedorismo, certo? O sucesso calha aos mais aptos, certo? Numa economia mais liberal, só nós somos culpados se não tivermos êxito, certo?
Errado.
Há vários estudos, e aqui abaixo fica mais um, que mostram o contrário. É nos países escandinavos - aqueles com cargas fiscais acima dos 50% - que o sucesso económico de uma pessoa menos depende do sucesso económico dos pais. Ou seja, é onde o sucesso depende mais de cada um, do que aquilo que herdou.
E é fácil imaginar porquê. O estado social garante a todas as crianças uma verdadeira igualdade de oportunidades, especialmente em termos de educação.


Por cada 1% a mais que uns pais americanos ganham, os filhos vão ganhar mais 0,5%. Por cada 1% a mais que uns pais dinamarqueses ganham, os filhos vão ganhar apenas mais 0,15%.
(Mais precisamente, o que aparece na figura é derivada parcial d log(rendimento)/d log(rendimento pais))

Um homem invulgarmente oco

Passos Coelho chegou ao governo graças à intervenção da santíssima troika. Terá, como qualquer adulto, ideias próprias. Mas jura-nos que a sua única política é a da troika, da “austeridade” e do “empobrecimento”, “custe o que custar”, porque é “inevitável”, e quem protestar é “piegas”.

Não sabemos, porque nunca se dignou explicar-nos, se noutras condições teria outra política ou se fará algo diferente quando terminar a “emergência”.

Quando se procura alguma racionalidade nos seus discursos, encontra-se a vaga ideia de que das cinzas da destruição do Estado social nascerá um Estado novo, magro e “honrado”, que voará pelos ares com a leveza de nada dever aos credores e (suspeito que o mais importante), com a segurança de ter muito menos obrigações sociais perante os cidadãos. Ele quer convencer-nos que esse Estado “mínimo” (mas com os monopólios naturais e os bancos vendidos a ditaduras estrangeiras) libertaria subitamente uma legião de empreendedores, “desencostados” do Estado e prontos a criar emprego e riqueza. Infelizmente, Passos é dos piores personagens que se poderia escolher para protagonista dessa epopeia da “exigência” e da “autonomia da sociedade civil”, contra a “preguiça” e a “complacência”.

Não tem “credibilidade”. Pela simples razão de que o seu percurso pessoal é o de alguém que sempre viveu encostado ao partido e com os olhos no Estado.

(Publicado originalmente no i.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A política do governo PSD numa imagem



Esta imagem não mostra o verdadeiro ataque às liberdades civis, nem inúmeros aspectos perniciosos da política da coligação de direita que nos governa.
Mas, quando nos lembramos do contexto em que estas pessoas foram parar ao poder, levando um governo a cair (sem apresentar qualquer alternativa) porque «já chega de sacrifícios» e fazendo toda uma campanha eleitoral desonesta reforçando que os sacrifícios exigidos aos portugueses eram excessivos, torna-se particularmente revoltante ver a forma como o país está a pagar a sua ganância, a sua sede de poder.


Carnaval: ponto da situação

  • Passos Coelho disse, falando contra a tolerância de ponto no Carnaval: «Portugal tem que “transformar as velhas estruturas anacrónicas”, bem como os “velhos comportamentos preguiçosos"».
E logo a seguir...
Lembram-se de 1993?

E cai mais um governo

Na Roménia, após três semanas de protestos contra a austeridade, o governo de centro-direita foi substituído por um governo, mais um, de «tecnocratas». O que acontece logo depois de um corte de 25% nos salários da função pública, aumento do IVA para 24% e uma «nota positiva» do FMI. E assim, já vão três: Grécia, Itália e Roménia. Ah, e o novo PM da Roménia é o anterior chefe dos serviços secretos (não, não inventei).