Mostrar mensagens com a etiqueta Argentina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Argentina. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os «fundos abutres» e a Argentina

A explicação dos recentes desenvolvimentos na Argentina relativos à última reestruturação:

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Elas dançam sozinhas

Muitos estudantes da Universidade Nacional de La Plata, na província de Buenos Aires, foram vítimas dos crimes da ditadura argentina nos anos 70. Estes estudantes, e muitos outros cidadãos, eram raptados, provavelmente para serem atirados vivos de aviões. Mas desapareciam sem deixar rasto. As famílias não eram informadas. Nunca mais ninguém sabia deles.
Em frente ao Departamento de Física da Faculdade de Ciências Exatas da Universidade de La Plata existe o monumento da foto, aos estudantes da faculdade desaparecidos. Cada tijolo que falta representa um desses estudantes. Um deles era filho de uma das mais conhecidas “mães de Maio”. Na inauguração do monumento, a faculdade naturalmente convidou-a. Ela não compareceu, alegando que não acredita que o seu filho tenha desaparecido.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Williamson expulso da Argentina

O bispo negacionista Williamson abandonou a Argentina. Regressou ao Reino Unido, país de que é nacional. Williamson é hoje um herói das organizações de extrema-direita e neo-nazis.

No aeroporto, dois elementos da sua guarda pessoal agrediram um jornalista, enquanto o próprio Williamson os ameaçava com o punho.

A polémica, para além de mostrar o anti-semitismo que persiste nos sectores católicos tradicionalistas de que Ratzinger se escolheu aproximar, evidenciou também as ligações da Fraternidade São Pio X à ditadura militar argentina. Em 1976, Lefebvre elogiou a ditadura argentina como «um governo de ordem, que tem princípios». Em 1977, reuniu-se com o ditador Videla, que lhe facilitou a instalação no país da sua organização. Os lefebvristas viriam a ter um acesso privilegiado às forças armadas argentinas. Recorde-se que a ICAR argentina colaborou proximamente com a ditadura militar, havendo mesmo o caso de um padre que colaborou na tortura de presos políticos, e que foi posteriormente protegido pela hierarquia da ICAR. Depois de detido (numa paróquia remota do Chile) seria condenado a prisão perpétua. Sabe-se também que a Fraternidade São Pio X deu asilo, em França, ao criminoso de guerra fascista Paul Touvier.

Williamson não deseja, visivelmente, qualquer reconciliação com Roma, para ele um antro de comunistas e mações. Roma também não deseja Williamson, que se tornou incómodo. A própria Fraternidade São Pio X ganhará em desembaraçar-se de um homem que diz em voz alta o que costumam dizer em privado. A solução, portanto, deverá ser a marginalização de Williamson.

Como o Diário Ateístaanunciara no verão de 2005, Ratzinger tem uma postura de abertura à extrema-direita. Presumivelmente, deseja uma ICAR mais coesa (mais radical), e se isso implicar a diminuição do número de católicos, pouco lhe importa. Resta saber como lidará com o anti-semitismo de outras figuras da Fraternidade São Pio X, como Tissier de Mallerais.

Williamson tem o seu próprio blogue.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sacerdote católico implicado em genocídio


Na Argentina, o padre católico Christian Federico von Wernich sentou-se no banco dos réus pela primeira vez no dia 5 de Julho. É acusado de participar em sete crimes de homicídio e em quarenta e um de sequestro e tortura. Os crimes em que participou ocorreram entre 1976 e 1983, durante a ditadura militar de que a ICAR foi cúmplice e entusiasta de tal forma que, em 23/9/1975, o capelão católico das Forças Armadas chegou a afirmar, numa homilia em que falava de «Cristo»: «o Exército está expiando a impureza do nosso país (...) os militares foram purificados no Jordão do sangue para se porem à frente de todo o país» (outro sacerdote diria anos mais tarde que «por vezes a repressão física é necessária, obrigatória e, enquanto tal, lícita»). A repressão militar vitimou mortalmente cerca de 30 000 pessoas, num país que tinha uma população de 30 milhões. Tratou-se de um verdadeiro genocídio, que a ICAR caucionou moralmente, e em que sacerdotes católicos participaram. O padre católico von Wernich, uma peça chave do sistema repressivo, será acusado de genocídio.

Von Wernich, que era capelão da polícia de Buenos Aires, actuava nas prisões durante as sessões de tortura. Com o pretexto de prestar «assistência religiosa», e perante presos políticos enfraquecidos pelos espancamentos e pelos choques eléctricos, o padre oferecia a última tortura: a «salvação» a troco da confissão. Os seus longos interrogatórios tiveram frequentemente sucesso. Não parecia ter problemas éticos com o que fazia: quando um oficial do exército matou um oposicionista na presença de Von Wernich, este sossegou-o dizendo-lhe que «o que tinha feito era necessário; era um acto patriótico que Deus sabia que tinha sido para o bem do país». Graças aos seus mui católicos serviços, foi mesmo condecorado publicamente pela ditadura fascista. Em tribunal, tem-se recusado a dar detalhes alegando o «segredo de confissão».

A ICAR apoiou-o sempre. Quando, após o final da ditadura, se refugiou numa paróquia de província, a população protestou contra a presença do padre torcionário. A ICAR não ouviu os protestos, mas mudou-o de paróquia quando teve um caso amoroso com uma paroquiana. Conclusão: para a ética invertida que a ICAR pratica, a tortura não é condenável, mas o amor, esse sim, é intolerável.

Em 2003, um juiz argentino defensor dos Direitos do Homem pediu a sua captura. A ICAR disse que não sabia do facínora, mas era mentira: Von Wernich estava numa paróquia remota do Chile, dando missa tranquilamente. Foi capturado depois de a imprensa argentina e chilena ter descoberto o seu esconderijo. É caso para dizer que há jornalistas que têm princípios éticos que não se aprendem na missa.

(Mais informações actualizadas na Federación Internacional de Ateos; mais fotografias em atheisme.org.)

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

quinta-feira, 31 de março de 2005

As Concordatas também se abatem?

A decisão do Presidente argentino, Nestor Kirchner, de cortar o salário e despedir o bispo das forças armadas foi uma violação directa da Concordata argentina de 2002. O contexto do caso já foi relatado no Diário Ateísta, mas eu quero aqui frisar que o que se passou foi uma violação do tratado internacional entre a República argentina e o bairro do Vaticano. A Santa Sé ainda não cortou relações diplomáticas com a Argentina, nem parece que o planeie fazer. Portanto, pode-se fazer gato sapato de uma Concordata sem que daí venham consequências de maior? Uma boa notícia...