domingo, 30 de junho de 2013

Símbolos partidários impressos com tinta invisível (4)


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Uma armadilha?

Símbolos partidários impressos com tinta invisível (3)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Não deixe de votar na direita nas autárquicas

António Costa pediu há dias um "momento de mudança" nas eleições autárquicas. Alguém mais desatento ainda poderia pensar que António Costa pedia que tirassem António Costa da CML, mas foi apenas mais um episódio do jogo sujo (que ainda agora começou a aquecer) que as oposições sempre praticaram nas autárquicas e nas europeias: colar os concorrentes ao governo.
Esta colagem é uma ofensa aos princípios democráticos, porque os candidatos do PSD e do PP às autarquias apenas representam o seu projecto para a política local e nada mais. Ser candidato de direita não significa concordar com as escolhas do governo central,  e mesmo que concordem não são essas políticas que vão a plebiscito.
Esta colagem é arma de quem acha que o mérito do seu projecto local não é suficiente para ganhar.
Por favor, nas próximas eleições, vote na direita se for a sua lista preferida.

Símbolos partidários impressos com tinta invisível (1)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Revista de imprensa (25/6/2013)

  • «(...) O caso deve-se a Paulo Morais, um ex-político que anda há um ano a dizer, em crescendo, que há corrupção a rodos na política portuguesa. Entre exemplos vários atirou contra Frasquilho. Porquê? Porque ele trabalha também para o Banco Espírito Santo, que por sua vez assessorou os chineses no processo de privatização da EDP. Sendo que também pertence à comissão que, diz ele, devia fiscalizar essa mesma privatização – que ele assume como «opaca». Está-se mesmo a ver, não está? – lançou Paulo Morais, por exemplo numa entrevista ao jornal i. A verdade é que não, não se está a ver, está-se a insinuar. E não porque aquela comissão não tem nem a missão, nem as competências para investigar as privatizações em curso. Não porque a questão da EDP nunca foi tratada em nenhuma daquelas reuniões – nem sequer pelo PCP e pelo BE. E, já agora, não porque Miguel Frasquilho sempre se recusou a tratar, na Assembleia, matérias que se cruzem com o banco para o qual trabalha. Prova dessa lisura foi o que se passou a seguir. Fernando Medina, do PS, fez-lhe um elogio rasgado («comportamento exemplar»). Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, prontificou-se a subscrever o comunicado. Quanto a mim, resolvi escrever este texto não só porque o gesto de dignidade é raro e meritório, mas sobretudo porque vivemos dias perigosos. Em tempo de austeridade é fácil semear a desconfiança e atacar os políticos por igual, pegar em meias verdades e deitar lama sobre os que estão na vida pública.

Mais insultos elogiosos

Poucas semanas depois do Daniel Oliveira, a Fernanda Câncio é insultada pelo Jornal de Angola (por este artigo). O facto, como é evidente, só pode aumentar o respeito e a admiração que se tem por esta jornalista.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mark Blyth: “A Austeridade Não Funciona. Ponto Final”.

Há muito, que economistas (Keynesianos, mas não só) nos advertem para a ineficácia das políticas de austeridade, mas poucos conseguiram explicar o apelo de uma ideia que tem demonstrado ser tão nociva. Foi precisamente isso que Mark Blyth, professor de Economia Política na Universidade de Brown explicou no livro Austerity: The History of a Dangerous Idea. Num estilo acessível, Blyth faz duas coisas. Primeiro, descreve a genealogia das ideias de austeridade, e explica o seu apelo – são simples e têm a mensagem moralista que convém a sociedades influenciadas pela cultura cristã. Em segundo lugar (e esta é a parte mais importante), Blyth demonstra que a austeridade não só não funciona agora, como nunca funcionou.

Não funcionou na Alemanha no período pós-1918, nem em França no período 1919-39, nem nos Estados Unidos durante a Grande Depressão. As políticas de austeridade também não funcionaram nos casos mais recentes que os economistas “austeritários” (por exemplo, Alesina, Ardagna, Perotti, economistas da escola de Bocconi que o BCE cita com regularidade) gostam de citar como exemplos de sucesso, nomeadamente os da Dinamarca, Suécia e Irlanda nos anos 80, e os da Estónia, Letónia, Lituânia, Bulgária e Roménia em 2008-2010. Todos estes casos foram desmontados por Blyth com a ajuda de economistas do FMI (uma ajudinha oportuna). No caso da Dinamarca, os autores do estudo que tentam demonstrar a tese da austeridade, omitiram o simples facto de que os cortes à despesa pública terem sido efectuados quando a economia estava em crescimento. Pelos vistos, este é um pormenor de somenos importância.

Assim, Blyth conclui: “...the deployment of austerity as economic policy has been as effective in bringing peace, prosperity, and crucially, a sustained reduction of debt, as the Mongol Horde was in furthering the development of Olympic dressage. It has instead brought us class politics, riots, political instability, more rather than less debt, assassinations, and war. It has never once ‘done what it says on the tin’”.

 As alternativas à austeridade
Blyth diz ainda que, obviamente, há alternativas à austeridade (achei sempre curioso o determinismo dos neo-liberais; afinal a base do liberalismo é a crença no livre-arbítrio). As alternativas tradicionais à austeridade são a desvalorização,a inflação e o não-pagamento, mas nenhuma é ideal ou é sequer uma possibilidade na zona euro. Mas há mais alternativas e uma delas é a que Blyth define de “repressão financeira” e que se traduz pelo aumento dos impostos para a classe de contribuintes que mais beneficiou do boom dos anos 90 e que provavelmente é mais responsável pela crise.

Ora, Blyth não é o único a pensar nisto. Um grupo de economistas alemães fez recentemente o cálculo seguinte: um imposto pontual (one-off) de 10% à riqueza pessoal que exceda os 250 mil euros por contribuinte poderá arrecadar fundos equivalentes a 9% do PIB alemão. Peter Diamond (do MIT) e Emanuel Saez (da Universidade de Berkeley) chegaram a conclusões semelhantes: o aumento dos impostos sobre os rendimentos dos actuais 22,4% para 43,5% para os contribuintes mais ricos (o topo 1%) teriam o efeito de arrecadar fundos equivalentes a 3% do PIB, o que será suficiente para fechar o défice estrutural norte-americano.

Blyth está convencido que, mais dia, menos dia, a opção ‘repressão financeira’ e impostos elevados para os mais ricos chegará à mesa da zona Euro. Estou a torcer para que Blyth tenha razão.

P.S. O livro de Mark Blyth deveria ser leitura obrigatória para todos os governantes e políticos europeus, e já agora para todos os jornalistas e comentadores que contribuíram para o triunfo do “austeritarismo”.
P.S.2: Muitas desculpas por um post tão longo.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Revista de imprensa (21/6/2013)

  • «Angola é assunto que por cá se trata com pinças. Não foi sempre assim; (...) Seria interessante perceber a partir de que momento se verificou tanta cautela - para, provavelmente, concluir que coincide com o adensar dos interesses económicos "bilaterais" e com os investimentos de empresas angolanas em Portugal, nos media em particular. Portugal não está só nesse silêncio. Há um ano, por ocasião das legislativas angolanas, o jornal britânico The Guardian titulava um artigo "José Eduardo dos Santos, o autocrata menos conhecido de África", frisando manter-se no poder há 33 anos (agora 34) e que, filho de um pedreiro, toda a vida quadro de um partido de génese comunista, acumula na sua família imediata - os filhos, com relevo para a mais velha, Isabel, de 40 anos, considerada a mulher mais rica de África - uma imensa fortuna. (...) Como repórter no Médio Oriente, Henrique Cymerman, embora cerimonioso, nunca surgiu timorato. Perante dos Santos e afirmações como "Angola é uma democracia de carácter social"; "estamos a trabalhar para erradicar a pobreza, a nossa maior preocupação é o fosso entre ricos e pobres mas temos a herança que vem do tempo colonial", ou "a corrupção é um problema em todos os países mas temos agido para que as pessoas não se apropriem do que não é delas", coibiu-se de contrapor o óbvio: apesar da sua abundância de recursos, e de ter sido descolonizada há 38 anos, Angola está na cauda do índice de desenvolvimento humano; a família do Presidente apresenta um nível de riqueza e de proeminência nos negócios dificilmente explicável por outro fator que não a sua proximidade ao poder. O desplante é tal que um dos filhos faz parte da direção do fundo soberano de Angola, criado, com uma dotação inicial de cinco mil milhões de euros, por ordem presidencial em 2012; a outra foi atribuída a gestão de um dos canais da TV pública. Das duas, uma: ou Cymerman veio do espaço no dia da entrevista (Israel não é assim tão longe) ou foi condicionado nas perguntas. (...)» (Fernanda Câncio)

Sindicatos e prosperidade partilhada

O caso dos EUA:


O Brasil lidera na luta contra o (poder do) futebol

É muito difícil criticar o futebol. E nem sequer me refiro ao jogo em si (que para o meu gosto pessoal, porém, é menos interessante do que o râguebi ou o judo). Refiro-me a criticar o poder que o futebol tem na sociedade e o modo como leva a que se tomem decisões profundamente irracionais e lesivas do interesse geral. Por exemplo, quando se tenta explicar que o Euro 2004 foi um desperdício de dinheiro público, tem que se enfrentar uma claque de adeptos de cachecol que nos vêm explicar que o futebol é sagrado, que têm emoções sublimes quando vêem a bola saltar, que a equipa da FPF é «Portugal», e que portanto todo o dinheiro gasto é bem gasto.

O Brasil enfrenta há duas semanas uma vaga de manifestações inéditas. Inéditas porque não parecem ser organizadas por partidos, e porque foram desencadeadas pelo protesto popular contra o esbanjamento no Mundial 2014 e nas Olimpíadas, que contrastava com o aumento das tarifas dos transportes públicos. Os manifestantes, nos seus protestos mais articulados, dizem claramente que o dinheiro que se gasta no «circo» futebolístico seria melhor empregue em escolas e hospitais. E têm toda a razão.

Acrescente-se que este movimento é também, muito provavelmente, o início do fim do poder do PT, que se terá tornado auto-complacente em demasia. Mas mostra que o Brasil, longe de ser «o país do futebol e do Carnaval», tem maior maturidade cívica e democrática do que o Portugal em que os estádios do Euro 2004 apodrecem sem que ninguém tire daí as devidas conclusões quanto ao poder do lóbi do futebol.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Professores a mais? Aumentem-se os horários!

Muitas das reacções à contestação dos professores passam pela constatação de que o número de alunos tem diminuído nas últimas décadas, e o número de professores aumentado. Existiria um excesso de alunos, que os professores não reconhecem, e que o Estado não pode pagar. Assim, o Governo teria toda a razão nesta disputa.

É verdade que o número de alunos tem diminuído, mas essa observação será enganadora para aferir a necessidade de professores se ignorar os sucessivos aumentos na escolaridade obrigatória que resultam numa maior necessidade de docentes. E é precisamente por isso - porque com mais escolaridade obrigatória são necessários mais professores - que os docentes têm continuado a ser contratados.

Mas o que é realmente absurdo é trazer esta observação para o debate público a propósito da tentativa de aumento da carga horária dos professores. Que bem é que faria ao ministério aumentar a carga horária dos seus trabalhadores, se os tivesse em excesso? Não procuraria ao invés negociar uma diminuição da carga horária (e respectivas contrapartidas)?
Um gestor que está disposto a lutar para aumentar os horários é um gestor que não se confronta com uma mão de obra em excesso. Isso seria lutar para agravar o seu problema: se já tinha mão de obra em excesso com os horários anteriores, o excesso será ainda superior com a nova carga horária.

A tendência de aumento dos alunos por turma ao longo dos últimos anos, a redução dos apoios pedagógicos, a redução das cargas horárias das disciplinas, são novamente incompatíveis com a ideia de que existem "professores a mais". Um ministro confrontado com professores "a mais" nunca iria proceder a uma série de medidas que pioram a qualidade do ensino mas libertam mão-de-obra para supostamente ficar de braços cruzados.

É verdade que vão existir professores em excesso. Muitos serão despedidos. Mas não é por causa das tendências demográficas. É porque, ao aumentar o número de alunos por turma, ao reduzir os apoios pedagógicos, ao reduzir a carga horárias das disciplinas, mas aumentar a dos professores, sacrifica-se a qualidade de ensino para diminuir a necessidade de professores.
Se essa mão de obra já estivesse em excesso, nada disso faria sentido.

Assim, o objectivo é fazer uma poupança que sairá muito cara ao país. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A crise do euro É um problema moral, e não económico, aos olhos de muitos alemães

De vez em quando alguém na blogoesfera ou twittosfera portuguesa redescobre que a palavra para "dívida" e "culpa" é a mesma em alemão: Schuld. Isso seria sinal da psique alemã que veria a causa da crise do Euro nas falhas morais dos europeus do Sul.
Mas não é preciso ser tão rebuscado. A questão moral, diria até moralista, está preto no branco na imprensa alemã que se refere aos países em crise com um termo mais depreciativo do que PIIGS, eles são os Schuldensündern, os pecadores da dívida. E não me refiro à imprensa de qualidade duvidosa, falo da imprensa de referência.

No Die Welt: 
No Spiegel:
No Handelsblatt:

Elogio da Greve Mansa

Aparentemente um professor chamado Carlos Alberto Silva terá escrito recentemente um texto satírico muito apropriado para "participar" no debate público sobre as greves questão das greves. Quando li o texto, pensei que teria sido escrito por um José Mário Branco, Sérgio Godinho, etc.
Os dias que estamos a viver têm um certo «sabor a passado» que este texto tão bem capta:

«O Elogio da Greve Mansa

A greve é um direito constitucional
Desde que não seja no meu quintal
E não belisque a conveniência geral

Não afecte a produção das farinhas
Nem ponha em causa a criação de galinhas
Nem traumatize as pobres criancinhas

O melhor seria ouvir os poderes instalados
E fazê-la no dia e hora mais adequados
Para não haver prejudicados

Talvez ao domingo depois do sermão
No feriado da Imaculada Conceição
Ou dia de São Nunca (que é santo pagão)

Nos restantes dias a greve já cansa
Agitando a louca bandeira da esperança
Que a melhor das greves é a greve mansa»

A repressão na Turquia, numa imagem


A polícia turca prende um médico, por tentar acudir às mazelas dos manifestantes.

Que estes tenham a fortitude para prevalecer contra todos estes atentados contra a Democracia, e contra eles próprios.  

domingo, 16 de junho de 2013

Bispo da ICAR apela a que professores não façam greve

Não me recordo de um governo que tenha sido tanto e tão directamente defendido pela ICAR. Depois de o Policarpo ter apelado a que os cidadãos não se manifestassem, temos o Clemente a apelar a que os professores não façam greve. Este governo deve pagar bem à ICAR...

Como se não bastasse ser Papa, é um chauvinista

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Ceausescu de Campanhã (um texto que não cheguei a escrever)

Henrique Pousão, "Casa rústica em Campanhã", MNSR

O texto seria a propósito deste outro, no Jugular, e da leviandade com que nele se sugeria que uma povoação de 15 000 pessoas "não deveria existir": deveria estar integrada numa grande cidade como Coimbra. A fazer lembrar os realojamentos em massa promovidos na Roménia de Ceausescu.
Na altura desloquei-me ao Museu Soares dos Reis, no Porto, e fotografei a pintura de Henrique Pousão na figura, testemunho das origens do João, autor do texto do Jugular em questão e de muitos outros. A minha ideia seria ilustrar que tal proposta não vinha da cabeça de um lisboeta. (Pela blogosfera choveram respostas ao texto do João com a acusação fácil de que o autor era "de Lisboa". Nada mais injusto para o João, natural de Campanhã e adepto do FC Porto. E já agora nada mais injusto para os lisboetas.)
Na altura não tive tempo de escrever a resposta ao João, e como acontece tantas vezes na blogosfera, o assunto saiu da ordem do dia. Mas desde então o João passou a ser, para mim, carinhosamente (acreditem: carinhosamente), o "Ceausescu de Campanhã".
Não sei se o João acharia grande piada à alcunha. Escrevi no mesmo blogue que ele (o "Cinco Dias", na altura uma deliciosa manta de retalhos) durante quase um ano. O João saiu na altura da cisão que deu origem ao Jugular, e pouco depois saí eu. Tenho o prazer de conhecer e ser amigo de uma grande parte dos autores do Jugular, e sempre achei que chegaria o dia em que conheceria o João. Em que lhe diria que para mim, desde aquele texto sobre os "fanáticos da ruralidade", ele era o "Ceausescu de Campanha". Tinha a esperança de que talvez ele achasse graça. De que talvez até ficássemos amigos. Mas não pude fazer nada disto, e infelizmente não poderei mais fazê-lo, uma vez que o João faleceu hoje. Tenho pena de não o ter feito, mas tenho ainda mais pena de não poder continuar a lê-lo.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Cavaco, vai trabalhar mas é! Sinto-me roubado todos os dias.

Aqui fica, publicamente, o meu apelo para o cidadão Aníbal Cavaco Silva.

O indivíduo que tanto envergonha o cargo que ocupa.

Revista de blogues (13/6/2013)

  • «Foi ontem conhecida a decisão do Tribunal de Coimbra sobre o chamado “caso dos CTT”. Um dos arguidos – pelo menos – foi condenado em pena de prisão cuja execução ficou suspensa, ficando essa suspensão subordinada ao cumprimento do dever de entregar a duas instituições de solidariedade social uma contribuição monetária de determinado valor. Tal subordinação é inquestionavelmente permitida pelo disposto nos artigos 50 e 51 do Código Penal. O que já é contestável é a escolha feita pelo Tribunal das instituições beneficiárias dessa contribuição monetária: a “Casa de Formação Cristã da Rainha Santa Isabel” e a “Obra do Frei Gil”. Não se duvida de que ambas se dedicam também a obras caritativas. Mas a verdade é que a primeira, como o seu nome indica, tem como principal objetivo “a formação cristã” (leia-se “católica”). Quanto à segunda, informa o “Google” que um dos seus fins é “proteger a família, zelando pelo culto dos padroeiros da Ordem Dominicana”. Não se compreende que, sendo Portugal um Estado laico, um órgão de soberania obrigue um cidadão a subsidiar a “formação cristã” e o “culto dos padroeiros da Ordem Dominicana”.» (António Horta Pinto)

1300 euros de multa por mandar Cavaco «trabalhar»

No caso do cidadão multado por «insultar» Sua Excelência o Palhácio de Belém, ocorrem-me três comentários.
  1. Não me recordo de que outro Presidente tenha sentido necessidade de recorrer aos Tribunais para se fazer respeitar.
  2. O uso de polícias à paisana para denunciar «crimes» desta gravidade parece-me pidesco.
  3. Não me recordo de qualquer outro caso decidido pela Justiça em 48 horas.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cavaco contra FMI, ao lado de mais austeridade

Já foi há mais de dois anos que escrevi - e tudo o que aconteceu desde então só me deu razão - que o FMI era a instituição que poderia dar esperanças a Portugal. 
No quarteto que nos governa, as divisões têm sido cada vez mais claras, sendo que CE, BCE e governo nunca esconderam o desconforto da falta de puritanismo por parte da instituição de Washington. 
Cavaco, que ainda há dias avisava que não tinha praticamente poder sobre um dos membros do quarteto, o governo, vem agora atacar o único membro sobre o qual certamente não tem qualquer influência, o FMI. Cavaco defende a saída do FMI do quarteto por ter "objetivos e visões" que "não coincidem" com os da CE.
Se havia dúvida de que lado Cavaco se coloca, deixou de haver.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Edward Snowden: um herói


São os Estados que existem para nos servir. Não somos nós que existimos para servir os Estados. E é por essa razão que a privacidade é um direito fundamental dos indivíduos-cidadãos, mas não dos Estados. 

Edward Snowden é mais um indivíduo que, como Bradley Manning antes dele, escolheu a sua liberdade e a tranquilidade da sua consciência contra os interesses do seu governo e das agências de espionagem. Ao fazê-lo, sem aparentemente ganhar nada e provavelmente até perdendo bastante, defendeu a liberdade de todos os cidadãos livres das democracias contra os grupos organizados de paranóicos profissionais que nas últimas décadas, em particular desde o 11 de Setembro, ganharam um poder tremendo. Vale sempre a pena repetir: os EUA usam hoje mais meios e pessoal em espionagem do que durante a guerra fria. E o SIS/SIED tem mais agentes do que a PIDE alguma vez teve, mas só com o «caso Silva Carvalho» alguns portugueses se aperceberam de que, também por cá, a serpente está no ovo e a pide voltou com novo nome.

A internet mudou o mundo. Para o bem e para o mal, quase toda a informação está em quase todo o lado. O que pode servir para os governos saberem o que nós fazemos e dizemos, mas também para nós denunciarmos os segredos dos governos. Exemplos como o de Edward Snowden mostram que a luta dos indivíduos contra as tendências totalitárias dos Estados - mesmo os democráticos - conta com um aliado precioso na coragem e na consciência de cada um. Que venham mais Edwards Snowdens.

Resumo do discurso de Cavaco, hoje

«A agricultura (...) a produção de leite (...) o concentrado de tomate (...) a vinha (...) os solos férteis (...) as muralhas de Elvas (...)» e, nos 30 segundos finais: «há alguns problemas».

domingo, 9 de junho de 2013

Insultos elogiosos

Curiosos insultos estes, que devem encher de orgulho quem os recebe.

O Daniel Oliveira está de parabéns!

sábado, 8 de junho de 2013

Revista de blogues (8/6/2013)

  • «(...) Os incidentes na Turquia foram despoletados por um protesto contra a construção de um projecto imobiliário na praça Taksim, que levaria à destruição do parque Gezi. O que começou com menos de uma centena de pessoas, acabou com praticamente todo o país envolvido. No entanto, Taksim parece ter sido apenas a gota de água. (...) Afinal de contas, qual é o problema das hospedeiras de bordo andarem de lábios e unhas pintadas durante o serviço? Ou de se venderem bebidas alcoólicas a menos de 100 metros de uma mesquita? Ou desde quando é que manifestações públicas de afecto são consideradas imorais? Há sempre um momento em que o copo fica cheio. Tão cheio que basta um protesto inócuo contra um projecto imobiliário para acender o rastilho de um Bósforo incandescente. Curioso é que o primeiro-ministro, Recep Erdogan, tem sido democraticamente eleito. Desde 2003, partido (AKP) agora com maioria parlamentar. Depois dos protestos, onde fica a legitimidade? Somos todos turcos. Uns mais do que outros, é certo. A avaliar pela última manifestação de 1 de Junho do movimento "Que se lixe a Troika", que coincidia com outras a nível nacional e internacional, Portugal está no bom caminho. Aguenta-se tudo neste país. Dizia uma mulher entrevistada por um canal de televisão que Passos Coelho, ao ver as imagens da Alameda, só podia estar rir-se do resultado. É verdade. Até um dia aparecer um qualquer projecto imobiliário que transborde o copo nacional.» (Pedro Figueiredo)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Feminismo não tem solo

Hoje, à entrada do tribunal onde estão a ser julgadas as activistas do movimento Femen, uma senhora diligentemente enviada pelos serviços de propaganda do governo tunisino, esclarecia a humanidade: “estamos num país árabe e muçulmano. Temos os nossos costumes e tradições. Elas ofenderam a moral e os valores tunisinos”.
O problema é que a Tunísia é habitada por homo sapiens. E o homo sapiens tem uns "valores" bizarros que se sobrepõem aos valores da Tunísia ou de qualquer outra nação. Um deles é a igualdade de direitos. Demorou uns valentes milénios, mas desde que o tamanho da moca deixou de pesar nas relações de força entre humanos, a igualdade de direitos entre géneros veio à tona que nem cortiça. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Centro-esquerda e centro-direita não são a mesma coisa

A propósito da convergência das esquerdas, discutia há dias com uma simpatizante do PCP se o PS poderia ser incluído em tal definição - a discussão que tem barbas, e que não leva a lado nenhum.
Hoje temos um exemplo vindo da Alemanha de como a diferença é clara. É significativo que venha daí porque o SPD não será certamente dos partidos mais à esquerda no PSE, ao ponto de ter sofrido uma saída em debandada da sua ala esquerdapara os Die Linke há uns anos.
Peer Steinbrück, candidato social-democrata a chanceler nas eleições deste setembro, apresentou hoje as suas ideias para a saída da crise europeia. Defende a criação de um segundo Plano Marshall para o sul da Europa, sendo ele financiado em parte pela taxação do setor financeiro.

O centro-direita alemão, hoje, ainda defende uma política de austeridade, inclusive nos países com as "contas em dia". Por sua imposição a Zona Euro (vista no seu todo) continua com uma política altamente contracionária absurda, apesar da grave crise e de um desemprego nos 12%:
 

Uma tentativa espertalhaça de matar o debate sobre a transparência das contas do Estado

É evidente que sou favorável a que se publicitem os subsídios do Estado e os seus negócios com variadas entidades. Evidentemente e obviamente, quero saber onde é gasto o dinheiro dos contribuintes. Acontece que misturar no mesmo decreto-lei a publicação dos nomes de quem beneficia de habitação social é desonesto e uma sacanice infantil.

Suponho que se alguém agora pedir ao Estado a discriminação publicitada dos subsídios a igrejas, clubes de futebol ou escolas privadas, ou ainda os salários dos gestores das empresas públicas e equiparadas, venha a resposta que «sim», mas acompanhada da discriminação de quem recebe subsídio de desemprego ou rendimento social de inserção...

domingo, 2 de junho de 2013

(Especulando sobre sondagens)

Há já alguns meses que me convenci de que o governo cairá nas autárquicas ou não cairá até 2015. O Jornal de Notícias publica hoje um conjunto de sondagens sobre essa batalha para a qual faltam apenas quatro meses. A amostra está muito desvirtuada: tirando Lisboa, as outras nove câmaras municipais são a norte do eixo Aveiro-Viseu. Tendo a cautela de apontar esse vício de amostragem, observo o seguinte (acreditando nas sondagens...).
  1. Há seis municípios em que haverá transferências de voto significativas do PSD  (e CDS) para o PS: Lisboa (oito pontos percentuais, garantindo a vitória de Costa); Vila Real, com uma transferência de sete pontos a tornar possível a vitória do PS; Viseu (+12%, mas longe de possibilitar a vitória do PS); Gaia (cerca de 8%, mas polarizando a eleição entre o PS e um dissidente do PSD, à custa do candidato PSD-CDS «oficial» - Abreu Amorim); Aveiro, onde o PSD perde uns 5% mas mantém a Câmara, com um ligeiro reforço BE-CDU; Viana do Castelo, onde o PSD-CDS perde uns 4 pontos, divididos por CDU e PS (que mantém a maioria absoluta).
  2. No Porto, o PS perde uns dez pontos, a favor de Moreira e Menezes (que pode ganhar); em Braga, o PSD conquista a Câmara ao PS, à tangente;
  3. Casos mais atípicos: em Matosinhos, passa-se de presidência PS com oposição de dissidentes do PS para presidência de dissidentes do PS com oposição PS; Guimarães fica na mesma (com ligeira descida do PS, que mantém a maioria absoluta).
É evidente que as consequências nacionais das eleições autárquicas serão muito dependentes de como se votar em distritos como Coimbra, Guarda, Leiria, Santarém, Castelo Branco, Portalegre e Lisboa (mais a sul, e tirando o Algarve, o PSD conta pouco). No entanto, para já a inegável maré anti-PSD parece ter poucos resultados práticos. E pode ser mitigada pela manutenção da presidência da segunda cidade do país e pela conquista (inédita) da terceira.