quinta-feira, 17 de novembro de 2011

os homens que odiavam a democracia



Existem muitas respostas que podemos dar a João Duque, a José Manuel Fernandes, e ao restante gang que recentemente se dedicou a lançar uns bitaites (para não ter que lhes chamar parvoíces) sobre o serviço público de televisão. Já foram quase todas dadas, no que diz respeito à grave ignorância e superficialidade do seu pseudo-relatório.

Mas, para mim, o grosso do relatório é acessório. Os pontos chaves não dizem respeito à ignorância sobre o que é o serviço público em Portugal, nos Estados Unidos ou na Europa, ou à superficialidade com que se sugerem soluções nada pensadas ou estudadas. Os pontos chaves dizem respeito à mensagem ideológica que este grupo transmite. E, sendo escolha directa de Miguel Relvas, essa mesma mensagem ideológica vem directamente do governo.

Quando sugerem a eliminação da informação pública (que já aqui discuti), a extinção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, ou o controlo governamental da "informação" externa, o que esta gentinha efectivamente faz é abrir um discurso que coloca em causa a democracia e a liberdade. Em Portugal e no Mundo estamos a assistir a uma guerra silenciosa. Uma guerra de classes, sócio-económica, clara para todos. Mas também uma guerra contra a democracia e a liberdade, onde estes senhores são o rosto "nacional" do inimigo. Se nos distrairmos por um segundo que seja, quando voltarmos a olhar foram os nossos valores mais básicos que cairam. Se acharmos que nada se pode ou deve fazer, quando voltarmos a olhar não haverá realmente mais nada a fazer.