quarta-feira, 16 de novembro de 2011

da violência à traição 2/2


Segundo Acto: Traição

«[...] Traição [...] é o rompimento ou violação da presunção do contrato social [...] que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição [...] é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros [...] Na lei militar, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria [...]» [2]

Depois da violência, a traição. Protagonizada pelos mesmos rostos, Passos Coelho, Vitor Gaspar e Miguel Relvas. Os traidores. Aqueles que se fizeram eleger com base em narrativas falsas e com promessas que nunca planearam cumprir. Que rapidamente rasgaram o compromisso eleitoral em nome de desvios que nunca existiram. E que agora rasgam o compromisso social de cidadania, com a imposição de uma violência arbitrária. Que se preparam para rasgar liberdades, para colocar em risco a democracia e a república. E não falo apenas da implementação de um programa ideológico absolutamente criminoso para o futuro de Portugal. Falo de saberem exactamente o que estão a fazer e quais as suas consequências:

«[...] [O] Orçamento projecta [uma] taxa anual média de crescimento até 2050 de 1% [...] pelas contas do próprio governo [...] Quarenta anos de miséria. Quarenta anos de recuo. Quarenta de desemprego [...]» [3]

Estamos assim perante um governo que deixou de defender os interesses gerais de Portugal perante os seus parceiros Europeus e internacionais; pior!, que defende, junto das instituições europeias, ideias precisamente contrárias aos mais básicos interesses nacionais. Um governo, provavelmente único na História, que assume como objectivo o empobrecimento da Nação.

Ficará, sem dúvida, com um lugar negro na História. Mas, acima de tudo, mais do que uma traição ao seu próprio eleitorado, mais do que uma traição ao seu próprio País, o que Coelho, Relvas e Gaspar estão a levar a cabo é, pura e simplesmente, uma traição a todas as presentes e futuras gerações portuguesas. E a traição tem um preço.

Sabemos que a esmagadora maioria dos Portugueses não defende este caminho. O governo está isolado. Os problemas estruturais que Portugal tem por resolver, esquecidos por debaixo do tapete neo-liberal. A corda está a esticar. À violência que nos é imposta, podemos sempre tentar responder com protestos pacíficos. Por outro lado, convém recordar, a traição foi o último crime a deixar de ser punido com pena capital em Portugal, em 1976. Perante os avisos dos militares, até onde querem estes três tenebrosos personagens esticar a corda? Insitir em percorrer um caminho que não interessa a ninguém só pode acabar mal.

Adenda: Pode acabar mal, disse eu? Para o governo é já certo que vai mesmo acabar mal: "Risco de tumultos e barricadas. Governo já prepara plano B". Se mais nada, isto é mais uma admissão, da parte dos três traidores, Relvas, Coelho e Gaspar, do seu próprio falhanço.