terça-feira, 15 de novembro de 2011

da violência à traição 1/2


Primeiro Acto: Violência

«[...] Violência é um comportamento que causa intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa [...] Tal comportamento pode invadir a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado [...]» [1]

A violência começa com Passos Coelho e Vitor Gaspar, na sua declaração de pré-anúncio ao OE2012. Sob o olhar de Miguel Relvas, a trágica combinação entre um homem de mente simples e outro de mente inflexível deu o sinal de abertura para as hostilidades.

A princípio a violência é psicológica: é o anúncio da posição de força do governo, que vai levar ao esmagar da população. É o anúncio de impostos asfixiantes para um sector da população, e o da transformação do trabalho em escravatura para um outro sector. É anúncio da destruição económica e social do País e das suas conquistas recentes nesses domínios.

Mas, com o tempo, a violência torna-se material. As privações serão cada vez mais notadas, conforme se esgotam as últimas poupanças e os últimos recursos. A incapacidade de aceder, a princípio, a bens materiais de conforto, mas, logo de seguida, a bens materiais de primeira necessidade. A degradação acelerada da qualidade de vida.

Finalmente, a violência é física. Sob o peso do abuso psicológico continuado dos governantes, na falta de capacidade material de resposta para o dia-a-dia, mais cedo ou mais tarde chegam a fome ou a doença. Para as quais o Estado, agora reduzido a serviços mínimos, sem assistência ou saúde, não terá qualquer tipo de resposta. E para as quais também o cartão de crédito, porventura caducado, não terá qualquer capacidade de aceder a algum tipo de resposta no sector privado.

E porquê tudo isto? Em nome de uma ideologia ultrapassada que, já tendo dizimado milhões pelo mundo fora, chega agora Portugal? Aos avisos, de todos os quadrantes, do «uso excessivo de força, além do necessário ou esperado», apenas o silêncio. Mas a violência, a violência já chegou. Por enquanto, apenas da parte do governo, de Passos Coelho, de Gaspar, de Relvas. Pergunto-me: por quanto tempo a resposta a tudo isto será pacífica?