domingo, 8 de maio de 2011

para terminar esta questão

Num post recente referi que — uma vez chumbado o PEC4 e uma vez que as taxas de juro entraram em crescimento exponencial — nem Bloco nem PCP apresentaram quaisquer alternativas ao recurso à ajuda externa que repudiam.

Esse post gerou alguma confusão, no que diz respeito a uma distinção cronológica entre o antes e o depois do chumbo do PEC4. Sem dúvida que, embora nunca tendo havido capacidade de diálogo com o governo (em culpas repartidas), antes do chumbo existiram propostas para tentar "combater" os ataques especulativos, inclusivé muitas com as quais concordo. Contudo, e era a isso que me referia nesse post, depois do chumbo, com as taxas de juro a crescer exponencialmente de forma insustentável, que alternativa havia? Ou nenhuma, e nesse caso não é honesto criticar esse pedido, ou alguma, e nesse caso impõe-se que se apresente.

É aqui que surge este artigo interessante no Esquerda.Net, que tem por título «Debate sobre a crise: Povos podem rejeitar imposições do FMI porque existem alternativas». Pensei que afinal estava errado no meu post original e que, de facto, pelo menos o Bloco, apresentou medidas pós-chumbo do PEC4 com o objectivo de contornar o pedido de ajuda ao FMI (onde, importa recordar, Portugal não pode operar sem injecção de financiamento externo a cada trimestre, pelo que explicitar de onde pode surgir este financiamento é particularmente importante). Infelizmente, a coisa não é tão simples. Quais são as medidas que o título do artigo refere?

Apenas identifiquei as seguintes:

«[...] Romper com os mercados financeiros, o que impõe “a realização de auditorias às dívidas públicas para que seja identificado quem deve e o que deve” [...] [O] Banco Central Europeu deve comprar os títulos de dívida pública no mercado primário de modo a baixar os juros e deixar fora do jogo as agências de notação [...] [O] estabelecimento de uma coordenação macroeconómica na Europa no sentido do equilíbrio entre o centro e as periferias [...]»

Sobre isto apenas posso dizer três coisas: (i) estou essencialmente de acordo com todos os pontos apresentados; (ii) nenhum deles depende únicamente de Portugal, pelo contrário, dependem de longos e complicados acordos que teriam de ser alcançados a nível Europeu; (iii) nenhum deles assegura financiamento para Portugal nos próximos meses (eventualmente nem nos próximos anos, a julgar pela velocidade com que as decisões importantes se tomam em Bruxelas).

Neste caso, de um ponto de vista pragmático, não consigo vislumbrar qual a alternativa que existe e mantenho o meu ponto de vista no post em questão. Mas, parece-me que não sou o único:

«[...] No entanto, acrescentou Miguel Portas, não se vislumbra na União Europeia qualquer intenção de alterar a política monetária porque essa é uma vantagem da Alemanha. [...]»