quinta-feira, 19 de maio de 2011

da não representatividade

Estamos a poucas semanas de eleger os nossos representantes à Assembleia da República. Mas antes de discutir quem irei escolher para me representar, deixem-me discutir aquilo em que, infelizmente, sei que não irei ser representado.

Estou a referir-me às questões de um mais activo combate à corrupção, ao tráfico de influências, às "reformas douradas", e à revolving door. Estou também a referir-me a questões elementares de justiça e equidade fiscal, salientando o papel redistributivo da carga fiscal, um dos pilares fundamentais da social-democracia/socialismo democrático. Mais precisamente, falo do combate à evasão fiscal, de impostos sobre as grandes fortunas, da recuperação do imposto sucessório, de um IRC harmonizado, do fim do sigilo bancário para efeitos do fisco, do combate à "economia paralela", de eventuais novos escalões de IRS e fim de muitos benefícios para aumentar a progressividade do mesmo, et cetera.

Nestes aspectos, respirando pontualmente, aqui ou ali, uma lufada de ar fresco, seja do PS, seja do Bloco ou PCP, a verdade é que não me sinto verdadeiramente representado por nenhum destes partidos (bom, e imaginar novidades nesta linha da Direita apenas pode dar lugar a uma boa gargalhada). O PS mantém, como sempre (esta é uma crítica que mantenho das últimas eleições legislativas), muitos destes pontos no seu programa. Contudo, chegada a hora de os colocar em prática, nunca vai tão longe quanto eu desejaria. Mas igualmente não me sinto representado pelo Bloco ou PCP pois, como em tantas outras questões, estes partidos sofrem de uma incapacidade crónica de priorizar o que defendem e, assim, uma incapacidade crónica de conseguir negociar com o PS qualquer um destes pontos. Ficam assim todos pela atitude de "muita parra pouca uva", e eu sem representantes nestes aspectos que considero absolutamente essenciais... Eu, e, estou em crer, muito mais gente.

«[...] A luta contra a corrupção continua a ser prometida pelos vários partidos políticos, mas olhando para os programas eleitorais são poucas as medidas concretas de combate a este fenómeno. [...] Ouvido pela TSF, Paulo Morais, vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade, lamentou que o combate à corrupção não seja uma prioridade dos partidos [...]» [1]


[1] --- Programas eleitorais com poucas medidas contra a corrupção, TSF [Maio 2011]

1 comentário :

  1. Os boys são precisos para a campanha.
    Não desmpbilizar os próprios, não exarcebar a raiva dos adversários.
    Com sorte, só uma forte pressão cívica sobre quem, já no poder, precise de reforçar a sua popularidade surtirá algum efeito-

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