terça-feira, 19 de abril de 2011

explica-se

Interroguei-me aqui há uns dias sobre o porquê de Bloco e PCP terem participado no abrir de portas ao FMI, especulando sobre os seus desejos secretos de explorar cisnes negros políticos. Dúvidas? Muito poucas; aqui seguem mais umas linhas para ajudar à explicação:

«[...] É que PCP e BE estão satisfeitíssimos com a perspectiva dum duríssimo programa de austeridade para muitos anos, imposto aos portugueses antes das eleições de 5 de Junho pelo actual governo de gestão, com o apoio de PSD e CDS, e ditado pela troika. Já esfregam as mãos em antecipação dum forte voto de protesto contra tal programa, que esperam irá dominar a agenda mediático-eleitoral, transformando as eleições num referendo onde dum lado estarão PS, PSD e CDS, e do outro BE e PCP. Claramente dum grande brilhantismo táctico, mas próprio de burocracias partidárias dependentes do subsídio estatal que lhes cai no colo em função do número de deputados eleitos. [...]» [1]

«[...] Se [à] [...] declaração de Jerónimo de Sousa, dando conta da recusa por parte do PCP de qualquer contacto [...] com a chamada troika [...] não se seguir outra, afirmando que o PCP vai abandonar a AR e o Parlamento Europeu, cortar quaisquer contactos com o governo e o PR [...], recusando [...] a luta no plano institucional existente e passando de imediato à preparação da tomada do poder, porque quaisquer contactos, conversações ou simples troca de palavras com o "inimigo" [...] equivalem a legitimá-lo, então, se não tirar estas [...] consequências [...] que se impõem [...] será caso para dizer que o secretário-geral do PCP [...] acaba de alvejar com um poderoso tiro em cheio o seu próprio partido. [...]

Outra questão é saber se a recusa da reunião foi a melhor opção no plano político imediato. Os islandeses recusaram as condições que o FMI queria impor-lhes, mas fizeram-no comunicando-lhe as suas posições e obrigando-o a recuar. [...]»
[2]

Está tudo dito sobre a ... "esquerda"...


[1] --- Ousar a democracia, Pedro Viana @ Vias de Facto [Abril 2010]
[2] --- O poderoso tiro em cheio de Jerónimo de Sousa no seu próprio partido e a posição do BE perante a proposta de reunião da troika, Miguel Serras Pereira @ Vias de Facto [Abril 2010]

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