quarta-feira, 23 de março de 2011

revista de imprensa e blogs: à beira do precipício, dá-se o passo(s) em frente?

«[...] [A] oposição seria irresponsável se precipitasse uma crise política, que seria desastrosa para Portugal na actual conjuntura europeia. Porque isso significaria inviabilizar o acesso do país ao Fundo de Estabilização a ser flexibilizado na próxima Cimeira Europeia, isto é, a condições de financiamento menos gravosas do que aquelas hoje impostas no resgate da dívida a que tiveram de se submeter a Grécia e a Irlanda. [...]»

[1] --- Ana Gomes, Causa Nossa [Março 2011]


«[...] O fundo tem operado até agora com modalidades bastante agressivas para os países que recorrem a ele. [...] [O apoio do BCE] não chega. Tem sido de facto um apoio extremamente importante e é o que está a permitir que o nosso sistema bancário não colapse e sustente a actividade económica, ainda que com grandes limitações. No entanto, o BCE não quer nem pode responder a todas as necessidades de financiamento do estado português. [...]

[As novas regras vão] permitir operar com taxas de juro mais baixas, mas acima de tudo vai permitir comprar dívida no mercado primário. A Portugal interessaria particularmente recorrer a esse mecanismo e poder contar com taxas de juro mais razoáveis, no máximo 5%. A negociação está relativamente bem encaminhada, mas vai passar por um momento decisivo na própria cimeira. A meu ver, e por essa razão, é fundamental que Portugal se apresente com uma capacidade negocial clara e confirmada. Infelizmente, não é o caso. [...]

Na hipótese de irmos para a cimeira sem apoios claros quanto a compromissos que podemos assumir, ou, pior ainda, irmos para a cimeira com um governo demissionário, a nossa capacidade negocial está praticamente reduzida a zero. E isso pode custar-nos muito caro. [...]»


[2] --- Maria João Rodrigues: "Portugal recorre ao Fundo antes das eleições", iOnline [Março 2011]


«[...] A possibilidade de uma crise política devido à provável rejeição do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) deverá acelerar o resgate financeiro internacional de Portugal, na opinião da imprensa mundial de referência.

O assunto domina a página principal da edição europeia online do Financial Times, que ao lado da bandeira portuguesa titula "Crise em Portugal ameaça provocar eleições antecipadas", com a "oposição a recusar apoiar medidas para evitar o resgate". [...]»


[3] --- Crise política vai acelerar resgate financeiro de Portugal, DN [Março 2011]


«[...] PCP e BE estão mais uma vez encurralados. Num cenário em que a situação interna e os constrangimentos externos deixam pouco espaço de manobra, não têm conseguido fazer muito mais do que anunciar que vem aí o desastre. Podem até ter razão. Mas para a maioria das pessoas, inclusive muitos dos seus eleitores, serão vistos ou como parte do problema (contribuindo para a ingovernabilidade) ou, pelo menos, como não sendo parte de qualquer solução.

Mas PCP e BE poderiam dar um sinal diferente. Poderiam ter a iniciativa de se apresentar com uma plataforma comum, propondo ao PS um conjunto de condições mínimas para apoiar uma solução para a crise assente numa maioria de esquerda no Parlamento. Uma solução que mostrasse que existem outros caminhos possíveis, mesmo com todos os constrangimentos internos e externos. [...]»


[4] --- Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas [Março 2011]


«[...] Durante esta última legislatura, se dúvidas houvesse nalgumas mentes, ficámos com a certeza de que os designados partidos da esquerda, da larga, ampla e grande esquerda de Francisco Louçã, da massa de trabalhadores, operários e camponeses de Jerónimo de Sousa, não só não servem para viabilizar uma solução de governo à esquerda, como estão dispostos a todas as coligações para se afirmarem contra, para se manifestarem do contra, protagonizando coligações negativas que abram a porta a um governo de direita. [...]»

[5] --- Sofia Loureiro dos Santos, Defender o Quadrado [Março 2011]


«[...] O PSD apresentou, no Parlamento, um projecto de resolução que tem como único ponto a rejeição pelo Parlamento do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) proposto pelo Governo. [...]»

[6] --- Projecto do PSD tem como único ponto rejeitar a proposta do Governo, TSF [Março 2011]


«[...] [E]sta crise política começou precisamente com o discurso de posse de Cavaco Silva. Cavaco Silva não é uma carta fora do baralho da luta político-partidária, é antes o ás de trunfo da direita.

A direita portuguesa não arrisca mais um dia sabendo que a superação dos problemas institucionais do Euro pode ajudar Sócrates a recuperar da grave crise financeira que o país enfrenta. Dar uma oportunidade ao governo significava neste momento perder a oportunidade de eliminar Sócrates de uma vez. [...]

E entre uma crise partidária à direita ou a bancarrota do país, Cavaco e a direita não hesita na escolha. A direita liderada por Cavaco Silva teve de optar entre esperar pela superação da crise financeira que beneficiava Sócrates ou lançar ou antecipar eleições mesmo que isso custe uma bancarrota ao país, Cavaco, Passos Coelho e Paulo Portas nem pensaram duas vezes, mas foram confrontados com o PEC IV começaram a preparar as eleições antecipadas. [...]

Cavaco não está à altura das circunstâncias, é um político de pequena dimensão para quem o país é visto segundo o seu próprio projecto e depois de estilhaçado o mito da competência e da honestidade não perderia a oportunidade de se livrar de Sócrates, mesmo que isso conduza o país à bancarrota. [...]»


[7] --- E agora Cavaco?, O Jumento [Março 2011]


Comentário: Existem inúmeras razões para discordar de muitas medidas nos diversos PECs. Não existe uma única para abrir as portas ao FMI. Quem o fizer deve ser devidamente responsabilizado.