sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

assim vai o mundo

«[...] O Nordea, o maior banco da escandinávia, já tem uma data para o pedido de ajuda financeira internacional do Governo português. O Nordea publica um estudo, onde revela que entre 30 de Janeiro e 4 de Fevereiro Lisboa vai ser obrigada a pedir ajuda à UE e ao FMI. [...]» [1]

Isto foi a 12 de Janeiro. Passadas 3 semanas, na anunciada terrível semana, nada aconteceu. Deve ser a margem de erro, pensei. Passaram mais 3 semanas. Nada. Nem se confirmaram as "previsões" dos palhaços economistas, nem foi denunciada a fraude noticiada pelos aldrabões jornalistas.

Assim vai o mundo: saltam "postas de pescada" de um bando de pseudo-cientistas que se intitulam de economistas, mas que no fundo são uns incapazes no que quer que diga respeito a fazer previsões (muito poderiam aprender sobre o método científico de qualquer físico ou matemático de segunda categoria), e tudo o que seja "o horror, a tragédia, o desastre" é estampado nas primeiras páginas dos jornais, sem qualquer ponta de espírito crítico, por um bando de gente acéfala que se intitula de jornalistas, e que nem um desmentido são capazes de emitir quando descobrem que se enganam (e passam a vida nisto).


[1] --- Banco escandinavo já tem data para pedido de ajuda externa de Portugal, TSF [Janeiro 2011]

29 comentários :

  1. O estudo do Nordea não é da responsabilidade de todos os economistas do mundo.

    E os jornalistas que o divulgaram não se enganaram nem têm de publicar nenhum desmentido.

    Podiam publicar uma notícia a dizer que afinal o Nordea se enganou, e creio que existe mais tendência para publicar notícias "más" do que "boas" (nesse sentido o blogue "Fado Positivo" é muito instrutivo).

    Mas certamente que os jornalistas não se enganaram. O estudo existiu mesmo.

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  2. quando é publicada uma notícia falsa, mesmo que o problema seja da fonte, é obrigação de qualquer jornalista (não de qualquer pessoa que se acha jornalista, como é o caso) publicar o desmentido. senão estão de facto a ser cúmplices em enganar as pessoas.

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  3. A notícia não é falsa.

    A notícia de que foi publicado aquele estudo por aquela instituição com aquelas conclusões não é falsa. É um facto.

    É um facto que tu destacaste.

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  4. se é preciso escrever as entrelinhas todas: a existência do "estudo" não é, óbviamente, falsa, mas o que este "conclui", é. que critérios temos quando qualquer barbaridade passa impune?

    por exemplo, não defendeste que deveria ter sido reposta a verdade aquando do pseudo-arrastão? também era um facto que houve uma série de lunáticos a jurar da sua existência...

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  5. A notícia de que houve um arrastão, substanciada nos testemunhos, é falsa.

    A notícia de que houve um estudo com essas conclusões, substanciada na existência do mesmo, é verdadeira.


    Ao jornalista cabe averiguar se a instituição que faz o estudo é credível, por uma questão de relevância jornalística. Não tem nada que julgar se as conclusões do estudo são acertadas ou não, não tem competência para isso.


    Por isso, os jornalistas que noticiaram esse estudo, tanto quanto sei, não divulgaram nenhuma notícia falsa.

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  6. e, contudo, a existência dos testemunhos era verdadeira... critérios duplos, pontos irrelevantes.

    o ponto é: se o resultado do estudo é falso, não fazer o desementido é ser cúmplice na desinformação do leitor. o resto são detalhes.

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  7. Os testemunhos são verdadeiros. Mas a notícia não é a existência de testemunhos - é a ocorrência do facto, "o Arrastão".
    É essa ocorrência que o jornalista tem competência para averiguar, por exemplo, ouvindo ambas as partes, a polícia, etc...
    Assim, quando o jornalista noticia um facto que não ocorreu, ele foi incompetente.

    Mas no caso do estudo, a notícia É o estudo.
    A notícia não é que vai acontecer isto ou aquilo a Portugal - o pobre do jornalista não tem condições de averiguar isso, pois não tem formação avançada em economia, nem tem tempo para estudar os dados devidamente. A notícia é que académicos desta instituição produziram um estudo com essas conclusões.

    Não existe a analogia, estudo-testemunhos. O jornalista não noticia testemunhos, mas noticia estudos.

    Quem tem de avaliar o estudo são as instituições académicas, não as instituições jornalísticas. No caso dos testemunhos, são obviamente os jornalistas que os devem avaliar se querem noticiar um facto neles baseado.

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  8. Aliás, era o que faltava os jornalistas porem-se agora a fazer julgamentos sobre se os estudos são correctos ou não. Se a instituição é credível, têm de os noticiar.

    Se as conclusões do estudo são falsas, os académicos que os julguem, penalizando a credibilidade das instituições e pessoas envolvidas.

    Quando muito, se tiver relevância jornalística - e neste caso acho que tem - o jornalista pode noticiar a reacção dos académicos ao erro grosseiro do estudo em questão.

    Mas são duas notícias verdadeiras, não é uma notícia falsa e um desmentido.

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  9. "...o pobre do jornalista não tem condições de averiguar isso..."

    mas se calhar poderia ter condições para, passadas 3 semanas do estudo se mostrar bom para forrar o caixote do lixo, ter dito alguma coisa?

    eu não sei se é difícil ler, mas a minha crítica é relativa a uma fraude de "economistas" (os resultados) e uma incompetência jornalística (a falta de denúncia, pactuando em silêncio com a desinformação). se tu preferes que qualquer barbaridade seja notícia e nunca desmentida, eu certamente não alinho por a&iacute.

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  10. Nota que a tua segunda queixa já é diferente.

    Se acreditas que deveria ter adicionalmente ter sido noticiado o falhanço da previsão do estudo - e isso parece-me razoável - o problema já não está no jornalista que escreveu a notícia, que não tem nada que escrever um desmentido.

    O problema está nos editores, que consideraram (incoerentemente) não existir interesse jornalístico num facto que efectivamente tem. Nem que essa consideração aconteça por omissão.

    Isso já me parece mais defensável.

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  11. tu achas que o jornalista escreveu o desmentido mas não foi publicado por razões editoriais. fair enough. pois eu acho que isso nem nunca foi escrito. e basta um pouco de experiência a ler e ouvir notícias em portugal para apostar na segunda hipótese...

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  12. Nãooo!!!

    Eu não acho que o jornalista escreveu desmentido nenhum, nem tinha de o fazer.

    O que ele noticiou foi verdadeiro. Os factos não desmentiram a notícia.


    Deixa-me dar-te um exemplo. Um político faz uma promessa. Os jornalistas noticiam essa promessa eleitoral. No poder, não a cumpre.

    Achas que faz algum sentido os jornalistas publicarem DESMENTIDOS? Não! Não noticiaram nada que fosse falso: o político em questão de facto fez essas promessas, e isso é um facto jornalístico relevante e verdadeiro. Adicionalmente não as cumpriu, que é outro facto jornalístico relevante e verdadeiro. Não há lugar para desmentidos.

    Se um jornal publica a promessa, mas depois não publica nenhuma alusão ao facto de não ter sido cumprida, quando muito podes questionar a competência do editor que não noticiou o segundo facto. Mas ninguém deveria fazer nenhum desmentido do primeiro.

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  13. «editor que não [considerou relevante noticiar] o segundo facto. Mas ninguém deveria fazer nenhum desmentido do primeiro.»

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  14. lá está, pelo teu critério tudo se pode noticiar, independentemente de mais tarde se vir a revelar verdadeiro ou falso. o que eu aponto (além da fonte incompetente) é essa falta de espírito crítico, onde nunca se volta atrás e se desmascara a parvoíce do dia anterior. down the drain, down the drain...

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  15. o ponto é: se o resultado do estudo é falso...ou fabricado, mais ou menos como os estudos de impacto ambiental em Portugal

    ou os estudos sobre a azinheira fóssil económico que limparam uns milhares rijos de contos

    estudos feitos para a ocasião

    se deviamos ter pedido ajuda?
    ao estilo grego pouco lhes valeu
    deviamos ter cortado nas despesas
    esta semana um ministério vai substituir mais uns computs
    por outros mais recentezinhos

    e são computadores que servem de máquinas de escrever
    em 20 anos passaram de máquinas de escrever eléctricas já de si caras e com 3 gerações de implementos

    para 12 substituições de computadores primeiro os wang 2 anos depois os 286 386 várias variantes do 486 e dos apple
    pentiuns de três cores Pentium Pro, II, III, 4, D, M,Celeron's

    12 substituições de 120 contos a 700 euros em média
    digamos 8mil euros x 100 computs
    e o problema é que funcionavam todos quando foram pró lixe

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  16. Não Ricardo. Nem tudo se pode noticiar.

    O jornalista não vai noticiar que o Zé Pedro Pascoal do café acredita que o político X praticou actos de corrupção. Isso não tem relevância jornalística. Ou noticia que esse político X praticou actos de corrupção, baseando essa notícia no testemunho do Zé Pedro (caso ele tenha visto alguma coisa que substancie a acusação) e aí a notícia pode ser falsa ou verdadeira, ou não noticia nada.

    O mesmo não acontece se for o presidente da República a afirmar publicamente que o político X praticou actos de corrupção. Aí a ACUSAÇÃO e não os actos de corrupção é a notícia.
    Por isso, caso se confirme que o político não praticou esses actos, neste segundo caso o jornalista não tem de fazer desmentido nenhum. Ele noticiou um facto verdadeiro - a acusação do Presidente.


    O mesmo acontece com a situação do Arrastão VS estudo.
    No primeiro caso, que meia dúzia de pessoas alegue que existiu um arrastão não tem interesse jornalístico. Só há interesse jornalístico se a notícia for o arrastão em si, substanciada pelo testemunho dessas pessoas. Se o testemunho for falso, o jornalista não apurou a verdade devidamente, a sua notícia é falsa e merece um desmentido.

    Mas a existência do estudo que referiste é como o exemplo da acusação do presidente - é uma notícia em si, independentemente do estudo estar correcto, ou a acusação ser verdadeira. Esse julgamento não cabe - não deve caber - ao jornalista (ao contrário do caso do Arrastão) e como tal ele não tem de desmentir NADA. Tudo o que ele relatou ocorreu de facto.

    Entendes a diferença?

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  17. A diferença é que podemos pagar entre 3 a 4 % ao ano

    a pagar 7% só em 2100 começamos a amortizar a dívida

    se o jão vasco pede 10mil euros a 7%
    pra comprar um fatinho armani e mais uns anéis e só consegue pagar 30 euros por mês
    só paga o fato depois de morto

    resumindo o estudo assenta na premissa que o cartão de crédito devia ser cortado

    logo sem controle de gastos o
    razoável seria pedir perdão

    não pedir ajuda...

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  18. Schiappa, estás a exigir que os media tradicionais adoptem a deontologia das revistas científicas. Até estou de acordo contigo, mas... é melhor esperar sentado.

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  19. ricardo, o mesmo rigor que se exige a médicos, professores, engenheiros. não estou à espera de mudanças, apenas aponto que o caminho daqui é sempre a descer.

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  20. Uma nota apenas: embora não seja especialista para avaliar as tecnicalidades
    do documento, o jornalista tem a capacidade e a obrigação de investigar as motivações e intenções sócio-políticas-económicas das instituições e dos economistas que publicam os estudos. É que é evidente que: (i) a economia está longe de ser uma ciência exacta; (ii) as hipóteses implícitas nos estudos económicos raramente são neutras do ponto de vista ideológico; (iii) raramente essas instituições e respectivos economistas estão numa posição em que não exista um ou vários conflitos de interesses.

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  21. «o jornalista tem a capacidade e a obrigação de investigar as motivações e intenções sócio-políticas-económicas das instituições e dos economistas que publicam os estudos»

    Eis o que é que eu NÃO gostaria de ver:

    «De acordo com um estudo da universidade XPTO as crianças educadas por casais homossexuais não revelam nenhuns problemas efectivos ou emocionais quando comparadas com as crianças educadas por casais heterossexuais. Trata-se naturalmente de um estudo motivado pela cultura do "politicamente correcto" e pelo poder de influência da comunidade gay. As ciências sociais não são ciências exactas, e existe naturalmente um conflito de interesses devido às pressões do "politicamente correcto".»

    Claro que um jornalista conservador iria embrulhar esta conversa de forma muito menos escandalosa. E podia sempre alegar um mero investigar das "motivações" do estudo.

    Eu acredito que a análise das intenções das diferentes instituições científicas deve ser feita pelos leitores, ou pelos comentadores. O jornalista deve apresentar os factos: que a instituição X apresentou um estudo que defende W.
    O julgamento que deve ser feito deve limitar-se à avaliação da reputação da instituição, conforme a qual esse facto tem relevância jornalística ou não.
    Quando muito, se o estudo foi recepido com polémica na comunidade científica, o jornalista deve referi-lo, e dar a voz ao contraditório.

    Por acaso, acredito que foi o caso, pois lembro-me de ter sabido, pelas notícias, de dramatizações E desdamatrizações.

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  22. É claro que eu tinha pensado num contra-exemplo do género. Mas acho que o escolheste mal: eu pensei na questão das mudanças climáticas.

    Concordo que deve ser feita uma distinção entre a notícia informativa (e, nesse
    caso, concordo com a tua posição) e o jornalismo investigativo. Era este último que tinha em mente.

    É evidente que o cenário que invocas como exemplo é catastrófico, além de comum. Mas repara que eu não disse que basta insinuar os conflitos de interesse. Primeiro, é necessário fundamentar a sua plausibilidade com argumentos e dados que sejam, no mínimo, tão persuasivos quanto o argumento original. Segundo, é necessário demonstrar como é que esses interesses influenciam as conclusões do estudo. Terceiro, comparar com os resultados de outros estudos para os quais os potenciais conflitos de interesse tenham sido também averiguados. Creio que este tipo de análise não é puramente subjectivo.

    Por outro lado, também fará parte do trabalho jornalístico (de investigação) questionar as hipóteses implícitas nos trabalhos, o enquadramento e a enfase dada às questões, a selecção das questões para análise, e os modos de avaliação da veracidade e pertinência dos estudos naquilo em que eles carregam de consequências para o contexto social em causa.

    Neste caso, o exemplo que escolhes é bom. A diatribe contra o politicamente correcto, os lobbies gay, etc é obviamente descabelada. Mas restam outras questões pertinentes: como é que se pode fazer uma comparação entre os crianças educadas por A ou por B, exceptuando casos patológicos limites, que nos permitam enquanto cidadãos tomar decisões ético-jurídicas? Não seria, no mínimo, necessário decidir a priori os criterios atraves dos quais a decisão seria tomada, em função de resultados x ou y, antes de se conhecer os resultados dos estudos? E se os estudos concluírem que o desenvolvimento das crianças e seu sucesso (como defini-lo?) futuro é melhor quando são adoptadas por casais de nível económico mais elevado? Devemos então tomar as decisões de adopção em função das folha de pagamento e saldo bancário? Se calhar esse pode ser um facto objectivo, resultar de um estudo livre de conflitos de interesse, e então ? ... etc etc

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  23. «Concordo que deve ser feita uma distinção entre a notícia informativa (e, nesse
    caso, concordo com a tua posição) e o jornalismo investigativo. Era este último que tinha em mente.»

    Então estamos de acordo.

    A noticia em causa enquadra-se, sem dúvida, na primeira categoria.



    «E se os estudos concluírem que o desenvolvimento das crianças e seu sucesso (como defini-lo?) futuro é melhor quando são adoptadas por casais de nível económico mais elevado? Devemos então tomar as decisões de adopção em função das folha de pagamento e saldo bancário? Se calhar esse pode ser um facto objectivo, resultar de um estudo livre de conflitos de interesse, e então ? ... etc etc»

    Isto era um mero exemplo, e discutir estas questões - interessantes que sejam - afasta-nos do tema do texto original.

    Pessoalmente acredito que os serviços, caso tenham vários casais candidatos a adoptar uma criança, devem discriminar (em vez de considerar apenas qual o primeiro casal a candidatar-se) tendo em vista o interesse da criança. Isto pode incluir discriminar casais com menor rendimento, desde que os estudos científicos provem que isso é favorável à criança, e em teoria poderia incluir discriminar casais segundo a orientação sexual caso a visão conservadora de que isso é desfavorável à educação da criança tivesse alguma sustentação empírica - mas os estudos científicos mostram-nos que não tem, pelo qualquer discriminação desse tipo é injustificável.

    Os problemas metodológicos desse tipo de estudos devem ser tratados pela academia, pela comunidade científica que estuda o problema. O jornalismo de investigação pode e deve abordar essas questões, e até ter um ponto de vista crítico sobre as conclusões da academia, e quanto mais fundamentado for esse ponto de vista, melhor.

    Mas é relativamente comum ver jornalistas a distorcer tão grosseiramente aquilo que os académicos afirmam ou discutem, que já tenho algumas reservas: não posso ter uma confiança muito elevada no tratamento jornalístico dado a temas científicos.

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  24. Esta é uma discussão interessante. O Schiappa tem um "ponto", mas é muito radical. Parece exigir para os media as regras das revistas científicas, como o Ricardo Alves lhe aponta.

    "Schiappa, estás a exigir que os media tradicionais adoptem a deontologia das revistas científicas. Até estou de acordo contigo..."

    Ricardo (Alves), para a deontologia das revistas científicas é essencial a revisão por pares. Como introduzirias isso na comunicação social?
    (Nas ditaduras costuma haver isso que propões, "revisão por pares da comunicação social". No salazarismo era chamado, eufemisticamente, "lápis azul".)

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  25. Filipe,
    eu não peço a deontologia das revistas científicas para a comunicação social. O Schiappa é que está a exigir que publiquem desmentidos de notícias, o que aliás até é obrigação da CS em certas situações (direito de resposta e rectificação quando alguém se sente atingido, secções como «O Público errou», outras).

    Aliás, nota que existem vários órgãos da CS que têm «provedores do leitor/telespectador/ouvinte/etc». Este caso que o Schiappa menciona poderia motivar uma cartinha aos provedores dos órgãos que publicaram o pseudo-estudo.

    Finalmente, acho a tua referência à censura de mau gosto.

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  26. "Filipe,
    eu não peço a deontologia das revistas científicas para a comunicação social."

    Lá em cima, no sábado, às 19:12, escreveste: "Schiappa, estás a exigir que os media tradicionais adoptem a deontologia das revistas científicas. Até estou de acordo contigo, mas... é melhor esperar sentado." Acho que te estás a contradizer...

    A revisão por pares é essencial à literatura científica e, queiras ou não, o papel de um árbitro é análogo ao de um censor. São duas realidades completamente distintas - os media tradicionais e as revistas científicas - e não comparáveis, e foi contra esta comparação específica que eu me insurgi. Não contra os jornalistas retificarem a verdade.

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  27. No caso de particular de rectificarem erros, até estou de acordo que adoptem a deontologia das revistas científicas. «Leitura pelos pares» antes da publicação seria deslocado.

    E não podes comparar a censura com a «revisão pelos pares». No caso da censura, o censor evita infracções à «verdade ideológica». No caso da revisão pelos pares, o «árbitro» evita infracções à coerência interna ou à lógica, quando muito...

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