domingo, 13 de junho de 2010

e outras nem por isso

Ao contrário de Espanha, por cá temos deputadas eleitas pelo Partido Socialista (não as quero adjectivar de "socialistas", pois não me parece que fosse correcto nem para ambas, nem para o resto dos deputados eleitos pelo PS) que aparentam ter uma grande dificuldade com o significado da palavra laicidade... [1]

«[...] [A] proposta das deputadas socialistas Teresa Venda e Maria Rosário Carneiro para que se eliminem feriados [...] Teresa Venda, uma das proponentes, lembra que a eliminação do 5 de Outubro foi apenas um exemplo e que a "ideia é que se eliminem dois dias laicos e dois católicos para que a proposta seja mais equitativa". [...]»

Mais equitativa? Say again?? Enfim, comecem por aqui. Devagarinho, não se magoem...

Posto isto, importa resolver a questão dos feriados religiosos. [1]

«[...] Para Manuel Seabra, vice-presidente do PS, a proposta "tem pernas para andar", só é pena que "tenha sido originariamente inquinada pela sugestão de se eliminar o 5 de Outubro". Também Strecht Ribeiro, outro vice, acha "difícil" mexer-se nos feriados laicos, mas considera que a nível religioso é preciso negociar com a Igreja para haver alguma redução [...]

Um estudo do professor de Recursos Humanos da Universidade Autónoma de Lisboa, Luís Bento, mostra que cada feriado nacional custa 37 milhões de euros ao país. [...]»


Neste sentido, parece-me que 15 de Agosto ("Assunção"), 1 de Novembro ("Todos os Santos"), 8 de Dezembro ("Imaculada Conceição") e o flutuante "Corpo de Deus" poderiam ser eliminados sem mais discussão (havendo ou não direito a algum tipo de compensação na forma de 2 ou 3 dias de férias suplementares).

E já que estamos nisto, e querem falar de feriados laicos, o 10 de Junho de má memória bem que podia deixar de ser "Dia de Portugal" (ou, até mesmo, deixar de ser feriado).

Afinal, poderia haver melhor data para o Dia de Portugal que o 5 de Outubro?


[1] --- PS aceita reduzir feriados sem mexer no 5 de Outubro, Diário Económico [Junho 2010]

13 comentários :

  1. Na realidade, no 5 de Outubro festeja-se a alteração do nome do país de Portugal para República Portuguesa. Quanto muito seria o dia Anti-Portugal.

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  2. Será o 5 de Outubro um feriado tão inútil como se julga?

    Não meus caros.

    É a data mais importante da nação Portuguesa, porque nela se festeja a independência de Portugal. Tratado de Zamora: 5 de Outubro de 1143.

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  3. Por mim, suprimia-se o 10 de junho e o 1 de Dezembro. E os três feriados religiosos que referes. E passaríamos a ter mais uns três dias de férias anuais. Do ponto de vista da produtividade, seria muito melhor, porque haveria menos interrupções do trabalho.

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  4. Não percebo como se pode propor o fim de feriados religiosos a troco de dias de férias. Se é por uma questão de laicidade, os dias extra de férias são descabidos. Se é por uma questão de produtividade, os dias extra de férias são... descabidos.

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  5. E eu concordo com o Ricardo. Acabe-se com o 10 de Junho e o 1º de Dezembro, já que aludem à Portugalidade e ao gosto de ser Português. Isso é fascismo.

    Mantenha-se o 5 de Outubro, porque relembra esse período idílico e romântico das quarteladas, das matanças de padrecos e da formiga branca.

    Abraço Ricardo e continua a raciocinar bem.

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  6. "Se é por uma questão de laicidade, os dias extra de férias são descabidos."

    Não, não são.

    Nessa situação nenhum cidadão fica previlegiado (ou diferenciado) face aos outros em função da sua religião, pelo que ao nível ao nível da laicidade essa solução é um progresso.

    A manter o tempo de lazer, os feriados religiosos devem passar a ser dias de férias. A diminuir o tempo de lazer, devem desaparecer.

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  7. Oh Camarada das 8:37! Foste demasiado irónico, não?!?! Ou então ainda conseguiste ser mais despropositado que o Ricardo Alves.

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  8. o custo maior não vem do feriado, vem das pontes. até podia manter-se o número de feriados se passassem todos para a segunda-feira seguinte à data.
    e isto também é receita certa para perderem qualquer significado por igual.

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  9. João Vasco,

    Os feriados não são dias de lazer. São dias em que se pretende festejar/recordar um dado evento. Esgotando-se o seu valor religioso, por uma questão de laicidade, nada fica para festejar/recordar no 1º de Dezembro, por exemplo. A menos que se pretenda não acabar com estes feriados mas sim mudar-lhes o significado. Nesse caso, não seriam dias extra de férias mas sim um feriado sobre outro assunto qualquer.

    P.S.: para mim tanto me faz se os feriados são religiosos ou não. Por uma questão de principio, realmente, o Estado Português não deveria ter feriados religiosos.

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  10. JDC,
    os feriados são interrupções no trabalho (agravadas pelas pontes). Se os feriados fossem suprimidos e aumentassem os dias de férias, não haveria a perturbação no trabalho representada pelos feriados.

    Por exemplo: uma fábrica deixaria de ter que interromper a produção.

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  11. mal tratada aritmética... para além das pontes, e da óbvia diferença 4 feriados - 2 dias de férias > 0, é importante relembrar que um feriado é um dia que ninguém trabalha, ao contrário de todos os outros dias em que alguém sem dúvida pode ter tirado férias... -sigh-

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  12. Ao contrário do 15 de Agosto, 8 de Dezembro e Corpo de Deus, que escassamente são celebrados, só o são pelos católicos mais observantes, o dia 1 de Novembro é objeto de gandes romagens aos cemitérios, missas por alma dos mortos, etc, que atraem muita população.

    Considero portanto que seria preferível manter, pelo menos temporariamente, esse feriado.

    Luís Lavoura

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  13. Nestas coisas sou liberal: Cada um devia poder celebrar os seus feriados quando lhe aprouvesse. Estabelecia-se um número máximo de feriados a usar, e os jacobinos podiam (se assim entendessem) celebrar o seu 5 de Outubro (de 1910), os nacionalistas o seu 5 de Outubro (de 1143), os católicos a noite S. Bartolomeu e por aí fora... No início talvez causasse alguma confusão, mas teria a vantagem de levar a uma maior percepção da variedade de crenças que há no nosso País!

    Filipe Paccetti

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