quinta-feira, 10 de setembro de 2009

porventura a principal crítica ao bloco e ao pcp?

«[...] Nos cálculos que passam pela cabeça de alguns políticos dessas correntes [de "esquerda radical"], julgam que isso poderá ocorrer na Europa e que com ajuda de um mundo multipolar com Chávistas e Iranianos na ofensiva e BRIC a mexer os cordelinhos, poderão pressentir situações pré-revolucionárias (não estou a exagerar, esse tipo de 'cisnes negros' podem ocorrer por surpresa) na Europa, ainda que essas correntes sejam muito minoritárias eleitoralmente. Por isso obviamente o golpe principal dos "radicais de esquerda" é e sempre será o centro-esquerda, mais do que a direita ou o centro-direita. O que interessa - é uma velha táctica dos anos 1910 a 1940 - é enfraquecer o centro politico (os social democratas de antigamente, reformistas), a esquerda democrática actual. Como isto é história, e os políticos actuais nem se lembram disso dada a falta de memória histórica e analfabetismo, a manobra politica não é exposta. Não é só um problema de táctica eleitoral (como José Sócrates alegou na discussão com Jerónimo de Sousa, ou seja de preferência de subida de um governo de direita para aumentar o voto de protesto), mas de estratégia. [...]

Essas correntes - sem com isso querer meter todos os seus aderentes nesse saco - continuam a ser estruturalmente totalitárias quanto ao sentido de sociedade, do exercício do poder e da economia, apesar de alguns segmentos derivarem de políticos que acabaram por sentir na pele o efeito da longa mão do totalitarismo. Em Portugal, a glasnot política e ideológica dessas correntes nunca foi feita. [...]»


[Jorge Nascimento Rodrigues | SIMplex --- 08 Setembro , 2009]

1 comentário :

Ricardo Alves disse...

1) Especular sobre o que se passa na cabeça de outras pessoas é sempre arriscado.

2) O BE representa efectivamente uma certa glasnost, quer de ex-militantes do PCP, quer daqueles que ainda se mantêm ligados à «Quarta», quer dos que vêm da UDP.