"As sondagens estão a desvirtuar o sistema democrático e político em Portugal", afirma Pedro Mota Soares, porta-voz da comissão política do CDS-PP. [...]»
[PÚBLICO.PT --- 09.06.2009]
«entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, entre le maître et le serviteur, c’est la liberté qui opprime, et la loi qui affranchit.»
(Lacordaire)
22 comentários :
Já devia estar em vigor Há muito tempo!
Deveriam,até, ir mais longe: se for provado que algumas sondagens são falsas, influenciadas pro algum partido; que tal (ou tais)partido seja impedido de concorrer a elições durante no próximo acto eleitoral!
Eu não costumo concordar com o PP em nada mas desta vez não acho má ideia. Evita influências indevidas por parte dos grupos e individuos que controlam as empresas de sondagens...
Pois, pois. Agora a culpa é das sondagens. Quando se apanharam no poder desataram a extorquir dinheiro às empresas para ignorarem a lei, mentiram, fizeram tudo o que puderam para tramar os pobres, lamberam as botas aos ricos abertamente, sem vergonha nenhuma, portaram-se como uns hipócritas sem coluna vertebral, meteram-se na cama uns com os outros ao mesmo tempo que se declaravam oficialmente contra os direitos dos homossexuais, e agora acham que são as sondagens que lhes prejudicam os resultados. :o)
A orientação política do PP não muda o facto de ser indesejável a influência de empresas na vida política. O passado do partido não me diz nada nem retira qualquer peso à ideia em si.
Já agora, porque não proibir a publicação de revistas e jornais durante a campanha eleitoral?
Também me parece que as notícias influenciam vários eleitores, e muitas vezes os donos dos jornais e revistas podem influenciar a linha editorial.
O interesse jornalístico de uma sondagem é elevadíssimo, e para mim, enquanto eleitor, é importante conhecer os resultados das sondagens para decidir em quem vou votar, e esse é um direito que me assiste.
Por outro lado, se as sondagens não fossem extremamente fiáveis, ninguém lhes daria qualquer valor. Quando falham todos se espantam, apenas porque estamos todos habituados a que acertem em cheio. Nenhuma estimativa dos resultados é tão boa como aquela que se fundamenta nas sondagens. De resto, a lei assegura a fiscalização das metodologias utilizadas em cada sondagem.
É o CDS a amuar...
Não conheço estudo científico algum que indique que uma sondagem a favor do partido A o prejudique ou beneficie significativamente.
Mas ainda sou do tempo em que era proibido publicar sondagens na semana antes das eleições. Isso acabou porque os jornais começaram a desrespeitar sistematicamente a proibição (foi o caso do Público e, se não me falha a memória, do Independente de Paulo Portas).
Que agora se volte a falar em proibições é um sinal de que a liberdade de informação já foi mais apreciada.
Pois quando se fala do que não se gosta é porque só podem ser moços de recados do PP... enfim nem vale a pena.
Ricardo Alves,
Eu penso que dada a propensão humana para apoiar quem sai a ganhar é uma tendência normal que as sondagens tenham uma influência pouco saudavel (basta ver quantas pessoas há numa sede partidária de alguém que perdeu...). Isto já está para além de liberdade de informação e passa para o campo da guerra de propaganda e da manipulação das ferramentas que a permitem...
Pedro Fontela:
Os estudos a que tive acesso indiciam que os resultados das sondagens não influenciam grandemente os votos dos eleitores; e eu diria que estudos centíficos têm mais valor que palpites.
Mas creio que a grande questão não é essa. Se o eleitorado se comporta de forma irracional, um sistema democrático tem mais é que o reflectir. Se o eleitorado, irracionalmente, reagisse à notícia de um assassinato em Leiria penalizando o partido do governo - para dar um exemplo caricato - ainda assim seria inadmissível que os jornalistas fossem proibidos de dar essa notícia para não influenciar os resultados.
Assim, se por hipótese as sondagens dessem a vitória a um partido, e as pessoas acreditassem nelas, e por essa via esse partido tivesse mais votos, a democracia seria isso mesmo. As pessoas reagem à informação que querem como querem, de forma mais ou menos racional.
O trabalho a fazer não seria proibir as sondagens, mas sim conscencializar as pessoas para o absurdo de querer estar na "equipa" vencedora; em vez de defender os seus interesses.
A menos que as pessoas fizessem isso por uma questão táctica de preferir a estabilidade de uma maioria absoluta e não encontrarem grandes diferenças nos partidos principais em disputa. Aí faria sentido olhar para as sondagens e optar por votar no partido que estas apontassem como vencedor, se esta hipótese estivesse em jogo. Novamente, o importante seria que a vontade do eleitorado fosse soberana, e que a liberdade de informação não fosse limitada.
Ricardo,
"Estudo científico" em política é lindo...
De qualquer modo, basta o contra-exemplo empírico: se a divulgação de sondagens nunca influenciasse as decisões do eleitorado não teriam surgido expressões como "voto útil" (feedback positivo); ou a previsão de vitória larga do 'sim' no referendo ao aborto de 1998 não teria resultado na vitória do 'não' (feedback negativo).
Em suma, quem agora reclama pelo corte nas sondagens ainda virá mais tarde exigir o seu regresso. Depende da oportunidade.
Para o Filipe,
Se os homossexuais do PP não sentem a mesma necessidade de direitos que outros homossexuais e até acham que essas reivindicações não fazem sentido, estão no direito deles. Eu posso não concordar com a atitude proibicionista mas chamar-lhe hipocrisia parece-me deslocado. Tal como os hetero, há homos com gostos para tudo.
João Vasco,
Depende de quem dá o palpite e de quem faz o estudo e com que intenções.
Quanto ao resto, fico à espera da iluminação das massas (prometida há mais de 250 anos) para eleminar os riscos - seria mais racional construir sistemas baseados nas realidades humanas em vez de criar uma visão ficcionada da nossa natureza mas tudo bem.
«Depende de quem dá o palpite e de quem faz o estudo e com que intenções.»
Certamente depende de quem dá o palpite. Pode ser um palpete fundamentado (em estudos, por exemplo) ou pode ser mera "conversa de café".
Também depende de quem faz o estudo.
Mas aqui há muito por onde escolher: veja-se este texto elucidativo com várias referências:
http://margensdeerro.blogspot.com/2005/02/os-efeitos-indirectos-das-sondagens.html
«Quanto ao resto, fico à espera da iluminação das massas (prometida há mais de 250 anos)»
Hum... Parece que foi nessa altura que os regimes absolutistas começaram a caír, não foi?
É que considerar que o "povinho" nunca se saberá governar parece-me ter riscos maiores do que acreditar que a discussão, a reflexão, e a educação podem ajudir a suprir os males que a democracia ainda tem de forma mais eficaz do que as limitações das liberdades.
Da posta citada por João Vasco:
"O efeito de desmobilização que sondagens desfavoráveis exercem sobre as bases, a agitação que lançam nos potenciais sucessores e o afastamento de potenciais financiadores podem ser muito mais nocivos e incapacitantes para um partido do que quaisquer efeitos das sondagens sobre o eleitorado em geral. Acho que é a esta luz que se devem interpretar a irritação dos líderes partidários com sondagens que lhes são desfavoráveis.*"
As sondagens dão uma indicação de voto aos eleitores quando anunciam previamente as percentagens de voto previstas para quem deverá ficar em 1º, 2º, 3º ou 4º lugares, o que influencia o resultado da votação, sempre no sentido das sondagens, pois uma boa parte do eleitorado acaba por ser induzido a escolher apenas de entre os partidos que são apontados nas sondagens como ficando em 1º ou 2º lugares. Trata-se de uma tendência desportiva, onde ou se ganha ou se perde. Só por isso as sondagens deveriam ser proibidas e são-no em alguns países. Além disso, estão a tornar-se suspeitas de serem mal feitas ou pouco sérias porque se enganam sistematicamente a favor dos grandes partidos. No final, apesar de tudo, os pequenos partidos acabam por ter sempre mais votantes do que os indicados nas sondagens.
Na política não é como no desporto, pois quem fica em 2º, 3º ou 4º lugares também acaba por influenciar o poder. Apenas não têm qualquer influência a abstenção, os votos brancos ou os dados a partidos que não chegam a eleger representantes para a assembleia. Também é muito diferente ganhar com maioria absoluta ou relativa, pois se a maioria for relativa o partido ganhador terá que procurar fazer uma coligação ou governar sem ela e na dependência do voto parlamentar. Em qualquer dos casos há que ter em conta outras políticas e outras sensibilidades. Por vezes é essa a única solução e é a democracia que fica a ganhar nestes casos.
Os grandes partidos são alvos de cobiça de interesses particulares que os apoiam esperando receber compensações em retorno quando aqueles forem poder e mais fácil será o retorno se tiverem uma maioria absoluta, por isso um povo politicamente esclarecido deve fugir sempre de dar maiorias absolutas a quem quer que seja, embora todos os partidos as peçam.
Zé da Burra o Alentejano
Em primeiro lugar, não vou aqui discutir os méritos ou desméritos das maiorias absolutas. Aquilo que acredito é que a sua formação deve corresponder à vontade do eleitorado - se os eleitores querem procurar uma maioria absoluta pois que o façam; se não o querem, votem nesse sentido. Mas devem ser livres de saber com o que contam.
Se uma empresa de sondagens, com uma metodologia que é pública, tem a possibilidade de publicar um conjunto de resultados, deve ser livre de o fazer.
Os estudos indicam que isso não influencia o eleitorado (ou que as influências nos vários sentidos tendem a anular-se); mas não é esse o ponto. Se o eleitorado quer dar valor às sondagens, está no seu direito. Eu próprio escolho dar valor às sondagens porque opto por ter o chamado "voto táctico" que depende das circusntâncias, e estou no meu direito.
A democracia é isso, é aceitar, pelo menos durante as eleições, a vontade popular.
Claro que os eleitores muitas vezes são influenciados por coisas que não deviam; a demagogia dos políticos, a quantidade de cartazes e comícios, a proximidade para com os militantes que favorece partidos maiores, ou até a vontade de se sentir integrado em determinados círculos, ou mesmo de não desiludir os pais e a família. Tudo isso leva a que o processo não seja o ideal, mas nada disso deve ser proibido.
A democracia, com todos os seus vícios, é o sistema menos mau. E ser coerente com a democracia é aceitar a voz do eleitorado, mesmo quando discordamos (e caramba, se discordo dos resultados destas europeias em toda a Europa!!), sem lhe limitar o acesso à informação que, mal ou bem, acredita ser relevante.
Agora vamos proibir o jornal "Avante" porque está enviesado e influencia parte do eleitorado? Ou vamos aceitar que essa parte do eleitorado dá a este jornal o valor que acredita que deve ter, e nós se discordamos é pela argumentação e elucidação que vamos lá - se formos - e não pela proibição e coerção? E quem diz o "Avante" diz o "Diário Económico", o "DN", o "Sol", o que quer que seja. Ou bem que há liberdade no acesso à informação, ou bem que se tem medo do mau uso que o eleitorado possa fazer das informações a que tem acesso.
""Estudo científico" em política é lindo..."
dorean, uma sondagem é um exercício matemático feito com base em critérios científicos. podemos questionar se as diversas empresas de sondagens o fazem melhor ou pior (e nesse sentido, até acho por bem que se fiscalizem os seus métodos). mas insinuar a banha da cobra é ofensivo logo a partir do gauss e por aí em diante uns 200 anos...
João Vasco,
Não me vou alongar em resposta porque a minha posição quanto a todos estes assuntos está clara no meu próprio espaço mas digo o seguinte: o endeusamento da opinião popular é algo sem pés nem cabeça.
Não estou a negar a necessidade e virtude um poder popular. Mas nego categoricamente que seja o único tipo de poder necessário ou desejável.
O resto desculpem-me os autores do blog mas é mitologia milenarista com uma capa secular.
«Não estou a negar a necessidade e virtude um poder popular. Mas nego categoricamente que seja o único tipo de poder necessário ou desejável.»
Numa democracia, em república, os eleitores são soberanos. Com todos os vícios que isso pode encerrar.
Mas a discussão, creio eu, não era sobre soberania mas sim sobre a liberdade de informação. Eu acredito que deve existir.
Os argumentos apresentados para limitar esta liberdade de informação (o povo pode ser influenciado de forma alegadamente perniciosa pelos resultados das sondagens) não pecam apenas por falta de fundamento empírico (os estudos feitos sobre esse assunto demonstram o contrário); pecam principalmente por assumirem valores que, levados às suas consequências imediatas, contradizem a desejabilidade de um sistema em que a soberania parte dos cidadãos eleitores.
Não é assumir que o povo é perfeito nas suas escolhas; é apenas assumir que é melhor contar com as suas imperfeições do que usar limitações às liberdades políticas (em particular a liberdade de informação) para as tentar evitar.
Ricardo S.,
O "estudo científico" que o Ricardo A. reclamava e que eu relativizei não era acerca de uma sondagem mas sim algum estudo que se debruçasse sobre a influência de qualquer sondagem nas decisões do eleitorado.
Pantomineiros!!!
O tema do Post é esclarecedor:
refer-se ao ataque à "ciência das sondagens".
Depois, como os ICAR (Insolentes e Contraculturais Ateus Republicanos) viram a estupidez dos seus argumentos, deixou de ser ciencia.
A pedido de várias familias (sim, porque, para os ICAR, uma familia pode ser um panasca e um cão), continua a ser ciência...
Afinal em qeu ficamos!?
Dorean,
a expressão «voto útil» refere-se às pessoas que votam em partidos grandes por saberem que os pequenos e médios partidos não deverão eleger deputados (ou apenas que não ficarão em primeiro lugar). Essas expectativas são construídas, principalmente, através do historial anterior de votação em cada partido. As sondagens parecem-me marginais na construção dessas expectativas.
No segundo exemplo que citas, não penso que o resultado final tenha sido influenciado pelas sondagens. Mais por um conservadorismo atávico de última hora.
Pois eu acho que para as expectativas e "voto útil" contribuem muitos factores, inclusivé as sondagens.
E já que não se pode proibir a divulgação de resultados eleitorais passados parece-me igualmente idiota proibir a divulgação de sondagens presentes.
No meu caso pessoal, estas são apenas úteis aos partidos durante a campanha (reavaliação de estratégia e tal).
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