Há neste país um fundo de conservadorismo atávico, que resiste a todo o processo de modernização tanto mental como material, como sucede com as infra-estruturas. [...]
O novo argumento conservador é o da "sobrecarga sobre as gerações futuras", como se não fosse justo que elas compartilhassem dos custos das infra-estruturas de que irão beneficiar, na medida justamente em que delas irão usufruir, tal como as gerações presentes pagam o proveito que tiram das infra-estruturas herdadas do passado (auto-estradas, pontes, redes de electricidade e de gás, etc.). O que é de lamentar mesmo é que outras infra-estruturas tivessem ficado por realizar mais cedo, como sucede justamente com o novo aeroporto de Lisboa (a sofrer dispendiosos remendos há vários anos) e com a nova rede ferroviária de bitola europeia, que a Espanha iniciou em 1992! [...]»
[Vital Moreira | Económico --- 17/06/09]
«[...] [U]m economista [...] dizia que as obras públicas programadas iriam custar 30 mil milhões de euros. Mas o que é que isso significa? Simples, diz-nos o mesmo economista, significa 12% do PIB nacional de 2008. [...]
Comparar um investimento que será feito ao longo de vários anos com o PIB de um ano é errado. [...] É preciso comparar o investimento anual com o PIB anual. Ora 30 mil milhões serão gastos em, digamos, 5 anos (serão mais anos, muitos mais, mas não faz mal, até porque depois os valores vão subir). 30 a dividr por 5 dá 6 mil milhões, ou seja 2,4% do PIB de 2008. Se suposermos que o PIB não cresce entre 2008 e 2013, aquela proporção manter-se-á. Se crescer, diminuirá, claro. Conclusão, as "grandes obras públicas" vão afinal custar 2,4% do PIB em cada ano, nos próximos 5 anos. A percepção sobre as mesmas torna-se diferente, não torna? Note-se que tudo aquilo é investimento. Pode ser mau (não é) ou bom (é) mas é investimento. Quanto investe uma economia por ano? Digamos que devia investir pelo menos 25% do PIB. Assim, continuando nestas contas, as "grandes obras" corresponderão a 10% de todo o investimento nacional. Not bad. [...]
Portugal tem dinheiro para pagar isso. Todo o Portugal, visto como uma economia, isto é. São projectos nacionais e a nação, como um todo, já tem dinheiro para ter um novo aeroporto e um TGV do Porto, a Lisboa, a Madrid. Não percebo como é que se pode pensar de outro modo. [...]»
«[Pedro Lains --- 15 de junho de 2009]
[...] Perdemos dezenas de anos a estudar o novo aeroporto de Lisboa e quando chegou a hora da construção voltamos ao princípio e toca a discutir a sua nova localização. Entretanto, ainda não fizemos 1 cm de pista ou 1m2 de instalações aeroportuárias. Com o TGV, a mesma coisa. Falamos desde Guterres. Barroso assinou contratos com Espanha. Nem 1 cm de linha de alta velocidade, nem uma carruagem…
Sem infra-estruturas de comunicações terrestres, aéreas ou marítimas modernas e eficientes, não há capacidade de cativar (melhor diria capturar) investimento internacional privado.
Então, porquê tanto "ódio" ao investimento público? [...]»
[Ponte Europa --- Junho 22, 2009]
«[...] [O]s transportes ferroviários são a grande aposta da União Europeia para o século XXI. Na verdade, em 2020 a Rede Transeuropeia de Transportes terá uma extensão total de 94.000 km de ferrovia, incluindo cerca de 20.000 km de linhas de alta velocidade. Este objectivo implica a construção de 12.500 km de novas linhas de caminho-de-ferro e a modernização de 12.300 km. Quando estiver concluída, espera-se uma redução de 14% no congestionamento rodoviário e uma redução anual de 4% das emissões de CO2. [...]
[A] linha Madrid-Sevilha dá dinheiro. Madrid-Barcelona regista um tráfego colossal. Os franceses vão duplicar a linha Paris-Lyon e vão investir mais 14 mil milhões em novas linhas. [...]»
[Nicolau Santos | Expresso --- 22 de Jun de 2009]
em junho de 2008, a alta velocidade europeia em funcionamento era significativa (o tracejado nas ligações portuguesas é importante, no mau sentido. de facto, a mesma linha serve ao mesmo tempo "alta" e baixa velocidade):

mais significativos ainda são os planos espanhóis para a alta velocidade (datados de 2008):

sem mencionar, claro está, os planos europeus no mesmo sentido:
assim sendo, com decisões como aquela(s) que o PSD defende, não é difícil perceber porque estamos sempre na cauda da europa!
1 comentário :
é notável a reunião destes dados sobre o caso. parabens
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