domingo, 17 de maio de 2009

waking up to reality

«[...] A Administração de Barack Obama vai anunciar hoje uma reforma das comissões militares de excepção que a Administração Bush instituíra para julgar os suspeitos de terrorismo encarcerados em Guantánamo. [...]

Obama decidiu restabelecer as comissões mas reforçando as garantias legais que estas oferecem aos réus. Manter o sistema das comissões, que o próprio Obama descrevera como “um enorme fracasso” durante a campanha, vai gerar uma onda de críticas e custar ao Presidente a boa vontade que conquistara das organizações de defesa de direitos humanos ao anunciar a intenção de encerrar Guantánamo ou de pôr fim à tortura e aos maus-tratos. [...]

É uma desilusão que Obama faça renascer [as comissões] em vez de pôr fim a esta experiência falhada. Não há nenhum detido em Guantánamo que não possa ser julgado no sistema regular dos tribunais federais”, defendeu em declarações à BBC Jonathan Hafetz, do American Civil Liberties Union. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 15.05.2009)

9 comentários :

Anónimo disse...

E quando é que se começa a julgar os norte americanos das guerras espalhadas no mundo.Shame on them!
A Naomi Klein é que fala 'bem' dele,e com razão.

Filipe Castro disse...

O Obama está a fazer o que pode. Alguns dos detidos são criminosos perigosos (treinados com dinheiro da CIA do tempo do Reagan) que nos querem matar os filhos por razões de fé e que acreditam que se morrerem vão finalmente ter relações sexuais com uma mulher. Eu não acho que eles devam ser soltos de qualquer maneira.

Acontece que o que Obama sabe foi em muitos casos arrancado pela administração Bush de forma ilegal e não pode ser usado em tribunal.

Isto não são assuntos triviais, que se resolvem em cima duma mesa de café, com imperiais e tremoços.

Filipe Castro disse...

Se um destes anormais se rebentar num centro comercial e matar 20 pessoas por ter sido solto e reintegrado à luz da lei, é o Obama que tem de explicar aos pais e aos filhos dos mortos porque é que o soltou.

João Moutinho disse...

Mas estão à espera de quê?
O anti-americanismo (e bushismo?)que andou por aí, fez crer que aquela malta estava presa injustamente, sem nada que o justificasse em termos da nossa segurança.
Então os Taliban (e outros afins) fazem o quê?
Concordo com o Filipe Castro, com a excepção no que respeita aos fulanos irem encontrar uma mulher, vão ter com "setenta virgens".
E não esqueçamos que muito do que se passa no Iraquem tem a ver com o ódio, à liberdade, democracia, emancipação da mulher e outros afins.
Se bem que o Sadam fosse laico e não quisesse as mulheres tapadas da cabeça aos pés mas isso é outro assunto.

Ricardo Alves disse...

Eu acho que o Obama decepcionou com esta medida. Não se pode prender todos os terroristas do mundo. Nem todos os maluquinhos do mundo. Nunca haverá segurança absoluta. E detenções injustas, sem culpa formada, sem julgamento, por tempo indeterminado, só vão gerar maior revolta. E «provam» que a conversa «ocidental» dos Direitos Humanos e do Estado de Direito é mesmo só isso: conversa.

João Moutinho disse...

Mas o Obama depois de eleito já não pode agradar a todos.
O que ele deveria era ter tido cuidado com essas aproximações populistas sobre Guantânamo.
Alé disso não convém confiar muito nos europeus (os próprios sabem disso), aquela de "Munique 1938" parece perder-se da memória, ajudada pelo fim da Guerra Fria.

Ricardo Alves disse...

João Moutinho,
«Munique 1938»? A Al-Qaeda não tem capacidade militar para conquistar a Europa.

Joao disse...

Ricardo,
Não seja mau (ou político esperto). Não era disso que eu falava especificamente.
Percebeu muito bem onde eu queria chegar. :-)

Filipe Castro disse...

O Obama está a tentar moralizar a situação criada por Bush e Ashcroft. Mas não pode fazer um milagre e tornar legais todas as provas que tem contra os presos verdadeiramente perigosos. E sabe que o resto do país não lhe perdoa se ele os libertar e eles se rebentarem no dia a seguir num centro comercial cheio de crianças chiitas. Eu não sei o que faria no lugar dele.