terça-feira, 28 de outubro de 2008

big brother is watching you

«[...] A capacidade de armazenar, recolher e processar informação cresce tão depressa que apanha a sociedade de surpresa; as leis contrárias aos interesses económicos e as atitudes das pessoas têm ambas demasiada inércia para responder a mudanças rápidas. Por isso a lei promove a recolha e retenção de dados pessoais e os consumidores não se preocupam com a informação que dão. E não percebem que os dados recolhidos ficam lá para sempre. Não lhes preocupa que a seguradora a quem vão pedir um seguro de saúde daqui a dez anos possa saber se compraram mais presunto e chocolates do que iogurtes e fruta. Ou que na entrevista para um emprego a empresa saiba se compraram fraldas e leite para bebé nos últimos meses. Ou que se guarde registos dos telefonemas que fizeram, das portagens por onde passaram e assim por diante.

Interesses económicos levam a lei a proteger a informação em função do valor comercial dos monopólios, e o estado a proibir, fiscalizar e punir com prisão a troca de ficheiros de músicas que são vendidas ao público a menos de um euro cada uma. Mas o que a lei devia proteger primeiro é a privacidade. Muito antes de regular o comércio de informação que foi voluntariamente tornada pública devia restringir a recolha e retenção não autorizada de dados privados. Se publico isto aqui abdico voluntariamente do direito exclusivo a estas palavras. Mas não é por ir ao supermercado ou fazer um telefonema que dou a outros o direito de bisbilhotar as minhas compras ou chamadas telefónicas. [...]»


(Que Treta! --- Outubro 25, 2008)

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