segunda-feira, 29 de setembro de 2008

uma oportunidade para sócrates aproveitar?

«[...] Soares defende que "é preciso repensar a esquerda reformista" através do regresso aos "valores éticos" para combater "as sociedades de mercado e os negócios pouco transparentes". E não poupa o comportamento da direita neo-liberal, lembrando que "perante a catástrofe iminente, aqueles mesmos que reclamavam, há poucos meses, menos Estado, mais privatizações, recorrem agora ao Estado, com total desfaçatez, isto é: ao dinheiro dos contribuintes. Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos - essa parece ser agora a regra", diz Soares, para quem "como de costume, são os inocentes que mais sofrem" com a crise, "porque os administradores e os gestores dos bancos e demais empresas - os responsáveis - saem a sorrir, com grandes indemnizações e chorudas reformas, com total impunidade." [...]

"Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos, e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios, que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos. Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo" [...]»


(Esquerda.Net --- 23-Set-2008)

«[...] Essa evidência brutal, diariamente apresentada pelos media mundiais, ameaça o mito da auto-regulação dos mercados e o dogma da austeridade, agora subvertidos pela generosidade estatal. E abre um debate global sobre emergência social. Os recursos mobilizados para salvar accionistas em crise sempre estiveram disponíveis, mas foram recusados às necessidades urgentes da nossa época. Esse sequestro da riqueza pública nunca foi tão escandaloso. Para a esquerda socialista que mobiliza opiniões e movimentos, a hora é de reforçar a exigência de políticas públicas: na Europa do BCE, urge um plano de investimento para enfrentar a alta do custo de vida e o desemprego; nos Estados Unidos, para acudir à ausência de saúde pública; em Portugal, para financiar um regime de reformas dignas. [...]»

(Esquerda.Net --- 27-Set-2008)

soares parece estar a dar uma pista a sócrates para o ano de combate eleitoral que se avizinha: com um regresso à sua ala mais esquerda, o PS pode colar-se à crítica generalizada do mercado financeiro desregulado e, num simples golpe, desacreditar todas as tradicionais ideologias económicas do PSD... parece-me que, dadas as circunstâncias, o derrube da política económica do PSD seria tarefa fácil, sem perder o PS eleitorado de centro --- fica a questão se é por aí que sócrates quer ir e, se assim for, se é mesmo por esse discurso económico que sócrates quer realmente pautar a sua acção...

2 comentários :

Filipe Castro disse...

O problema é Sócrates não faz a mais pequena ideia de que valores éticos é que Soares está a falar. Nem Sócrates nem nenhum dos neo-liberais que trabalham com ele no governo.

Como dizia Friedman (com a vulgaridade rasteira que caracterizou a sua vida inteira) a única obrigação ética dasempresas é maximizar o lucro.

Agora Máro Soares vem fazer alusões a coisas desconhecidas do P"S" como solidariedade, ambiente, respeito pelos cidadãos, pelos contribuintes e pelas gerações vindouras.

Eu acho que se os membros do clube da esquerda liberal (qua aqui se chamam 'compassionate conservatives') se metem a tentar pensar nestas coisas, as cabecinhas deles arriscam-se a rebentar.

Ricardo Alves disse...

O Sócrates não está interessado. Aliás, o resto da «esquerda» também parece ter sido apanhada mais ou menos desprevenida pela viragem.