segunda-feira, 22 de setembro de 2008

alguém lhes explica...

«[...] A JSD entende que a Assembleia da República deveria aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no âmbito do agendamento para 10 de Outubro da discussão sobre os projectos de lei do Bloco de Esquerda e de Os Verdes sobre esta matéria. Mas tem as “maiores reservas” sobre a adopção de crianças por parte destes casais. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 17.09.2008)

...que pessoas solteiras podem adoptar, ergo, muitos casais homosexuais podem adoptar crianças há anos? que raio significam estas "maiores reservas"? parece-me que a JSD tem que sair do armário...

10 comentários :

Ricardo Alves disse...

«Os dois principais partidos com assento parlamentar decidiram hoje qual será a política de voto no dia 10 de Outubro em relação aos diplomas do BE e de Os Verdes. O PS já afirmou que vai impor disciplina de voto na bancada, no sentido de chumbar os projectos (...) Já o PSD entendeu dar liberdade de voto à sua bancada como aliás tinha sido sugerido pela JSD.»

Por este caminho, vamos chegar a 10 de Outubro e vamos ver a JSD a votar a favor dos casamentos entre homossexuais, e os meninos da JS a votar contra. Vai ser mesmo lindo... ;)

Anónimo disse...

Não é contraditório. É verdade que um homossexual solteiro pode adoptar. Mas um casal composto por 2 pessoas do mesmo sexo não pode. Para 2 pessoas adoptarem simultaneamente a mesma criança têm que ser de sexo diferente.

O casamento entre homessexuais e a adopção são coisas completamente diferentes. Se o 1º pode ser encarado como um direito, e sendo o direito, é justo que o acesso ao mesmo não descrimine em função da orientação sexual, a adopção não é um direito, não deve ser vista como um instrumento para a luta contra a descriminição. Há que olhar para o assunto do ponto de vista da criança. E para melhorar o sistema da adopção em Portugal do ponto de vista das crianças (o unico que interessa), há coisas bem mais urgentes a fazer do que alargar o seu ambito a casais homossexuais.

Anónimo disse...

Por exemplo, sabiam que um casal casado tem de esperar 4 anos após o casamento para poder adoptar? Isso faz algum sentido?

Quanto a posição da JSD, para explicar melhor porque é que não é um disparate, tal como a lei está redigida hoje, ao permitir o casamento entre 2 pessoas do mesmo sexo, automaticamente estar-se-ia a alargar o ambito da adopção a esses casais (4 anos depois...). E pode-se ser a favor de uma coisa e não se ser de outra...

Pode-se não concordar com a posição, como é obvio, mas não é aburda, como o post quer fazer crer.

Anónimo disse...

Para terminar, gostaria de explicar melhor o meu raciocionio.

Não tenho duvidas que um casal de duas pessoas do mesmo sexo tenha a mesma capacidade de dar uma boa educação a uma criança. Não é por aí. O problema é que o mundo em geral e este pais em particular ainda descrimina os homossexualidade. O Estado ao entregar uma criança a um casal homessexual estaria a contribuir para acabar com a descriminação, é verdade, mas estaria também a colocar essa criança numa posição de ser descriminada, estigmatizada, e até violentada (verbal e emocialnamente). Não nos podemos esquecer que as crianças não conhecem o politicamente correcto. Gozam até com as deficiencias fisicas. E o que me parece evidente é que não é justo instrumentalizar estas crianças para esta luta da não descriminação, ver isto como mais um degrau a subir para um mundo que não descrimine a orientação sexual.

A adopção por casais homosexuais não deve ser um meio para atingir esse fim da não descriminação, mas uma consequencia logica da obtenção desse fim. Ou seja, quando o mundo e o pais já virem um casal homosexual de uma forma normal (nunca em absoluto, porque haverá sempre quem resista, mas de uma forma generica), estaremos prontos para esse passo.

Ou seja, como diz a JSD (com quem eu não tenho nada a ver) comece-se pelo casamento, esse sim, um bom meio para se chegar a esse fim.

Pedro Sá disse...

A questão é que mais indicado será não mudar a lei da adopção, e tratar os casos da adopção por homossexuais como adopção por uma única pessoa, a qual já é possível. Aliás, assim seria a situação mais próxima de um casal heterossexual em que há filhos apenas de um deles...

Anónimo disse...

Sim, isso já é possivel.

O homossexual que adopta solteiro não tem que ser casto, pode fazer a sua vidinha. O companheiro(a) pode não ter vinculo legal à criança e educar na mesma.

O que torna mais evidente que toda a urgência nesta questão é francamente exagerada.

Outra questão é saber se um Tribunal entrega uma criança para adopção a um homessexual solteiro. Mas isso a lei não resolve, porque cai no ambito descricionario do Juiz. É que a adopção não permitida automaticamente a quem preencha determinados requisitos, há uma avaliação subjectiva do Tribunal. Os Juizes são homens e mulheres como outros, portanto parece-me óbvio que antes de pensar mudar a lei, há quem preparar as cabeças das pessoas para essa realidade...

Gargula disse...

É óbvio que um casal homosexual pode criar uma criança e dar-lhe amor e uma excelente educação. Contudo há 2 pontos sobre os quais devemos reflectir:

1º- Na sociedade em que vivemos a homossexualidade ainda não é totalmente aceite e há muitos tabus. Temos que ter consciencia que as primeiras crianças ou melhor nos primeiros anos de adopção de crianças por homossexuais estas iriam sofrer até se aceitar como "normal" não só a homossexualidade (que ainda não é genericamente aceite pela maioria da população como algo normal) mas também a adopção de crianças por homossexuais (que é um tema controverso mesmo dentro da comunidade homossexual!).
Tendo em conta o que referi entendo que as crianças não devem sofrer por um segundo que seja por terem sido adoptadas por casais homossexuais. Isto porque para mim os direitos das crianças estão primeiro que os direitos dos homossexuais.

2º- Na minha opinião é preferível que uma criança seja adoptada por um casal heterossexual.Contudo não tenho problemas em admitir que é também preferivel para a criança ser adoptada por homossexuais do que crescer num orfanato. Infelizmente pelos motivos que referi no ponto 1, essa opção por agora não deve ser considerada.

Filipe Castro disse...

A única questão aqui é de direitos humanos. Não há mais nenhuma. Ou os homossexuais são cidadãos de pleno direito, ou não são. Ponto final.

Mitómano Arrependido disse...

Filipe Castro,

A sua simplificação das coisas comove-me. Mas não se esqueça que estão DOIS direitos em jogo: o das crianças (em primeiro lugar) e o dos homossexuais (em segundo lugar).

Anónimo disse...

Há muitos...muitos anos atrás, trabalhando como auxiliar de capelão numa base norte-americana na (então) RFA, recordo ouvir esta mesma argumentação relativamente aos casamentos mistos (ex. negro/as e branco/as): e as crianças, coitadas? há que pensar nelas e na forma como vão ser discriminadas e vão sofrer nas escolas, nos autocarros! Pobres mulatihos/as, sem culpa nenhuma das modas modernas! Hoje, 30 anos depois, não tenho estômago para ouvir anónimos e mitómanos repetirem as mesmas cretinices!
fcl