sexta-feira, 13 de abril de 2007

pequeninos ou mesquinhos?

o caso "lewinsky" nacional (i.e., o não-caso sobre a licenciatura do primeiro-ministro) já me começa a dar vómitos. pensei que, em portugal, a linha entre a imprensa de má qualidade e a de média qualidade estava mais ou menos delineada. após ter consultado os jornais do dia, vejo que não --- tal como não há limites para a estupidez humana (como tão claramente nos explicou einstein), parece também não haver limites para um jornalismo de intriga, escárnio e mal-dizer. enjôo...

claramente, só num país pequenino e mesquinho em que todos querem ser "doutores" é que as pessoas se preocupam com os graus académicos dos outros... é certo que nem todos podem tirar cursos em princeton, harvard ou no MIT. but who cares?! penso que precisamente as pessoas que estiveram em princeton, harvard ou no MIT são aquelas que menos importância dão a toda esta história. senão vejamos: a necessidade nacional de acrescentar um título académico ao nome, além de profundamente provinciana, apenas reflecte o vazio da vida das pessoas que o fazem. não tendo mais nada para mostrar nas vidas insignificantes e marginais que levam, essas pessoas decidem apresentar-se como "doutores" ou "engenheiros" na esperança de acrescentar alguma côr à sua existência por demais cinzenta. patético, eu sei. mas isto leva consequentemente a que, essas mesmas pessoas, necessitem também de "presseguir" as carreiras académicas dos outros. as suas vidas vazias dão-lhes o tempo necessário. as suas vidas desprovidas de sentido dão-lhes a motivação necessária.

a propósito de tudo isto, lembro-me de quando há uns anos dei aulas em portugal, vindo de me doutorar numa universidade estrangeira uns anos antes --- universidade estrangeira essa onde, ao invés de usar o título de "professor", vencedores da medalha dirac se passeavam pelos corredores com os nomes de dan, alan ou jeff; vencedores do prémio nobel pelo nome de frank; e, inclusivé, alguns professores se apresentavam com as alcunhas de eddy ou wati. chegado a portugal, pelo menos em duas ocasiões observei um choque cultural devido a uma atitude semelhante: na primeira ocasião, quando observei o olhar de pânico de uma secretária, depois de lhe pedir para me tratar por "ricardo" ao invés de "professor". na segunda ocasião, quando disse a mesma coisa a um técnico dos computadores, que há bastante tempo estava habituado a tratar todos os outros docentes por "senhor professor". ao menos nisso algo de bom surgiu: eventualmente alguns outros docentes acabaram por seguir o meu exemplo...

quem se segue? os senhores jornalistas? os políticos em geral? ou mesmo uma pequena revolução cultural no nosso país? que tal deixarmos de lado o provincianismo e voltarmos todos a ser outra vez apenas quem somos?

2 comentários :

Ricardo Alves disse...

Não seria mau se, para começar, os políticos no activo e na indústria do comentarismo abdicassem de ser tratados por «professor» e «doutor». Já seria um avanço. A mania portuguesa do «senhor engenheiro» e «senhor doutor» é horrosa.

Anónimo disse...

Não foi a AEP que já deixou cair os títulos entre os seus membros? Agora é só Sr. Fulano.