(a) a criminalização da IVG não impede, nem nunca vai impedir, as 18 mil IVG clandestinas que se realizam, por ano, no nosso país;
sabendo também que
(b) a criminalização da IVG não impede os consequentes 3 internamentos por dia de mulheres em hospitais (devido a complicações resultantes da natureza clandestina dessas mesmas IVG);
e sabendo ainda que
(c) a despenalização da IVG na realidade reduz o número total de abortos efectuados por ano num dado país;
como é que alguém pode, "em consciência", ir votar "Não" no próximo dia 11, e depois conseguir dormir à noite?
5 comentários :
Não deviam conseguir, mas conseguem. À semelhança da maioria dos criminosos.
c) é simplesmente invenção tua. Não sabemos que legalizar o aborto e oferece-lo como parte do SNS vai reduzi-lo. E temos boas razões para suspeitar o contrário.
b)A legalização, se acompanhada do aborto como serviço prestado no SNS, vai aumentar de 3 para cerca de 50 os tais internamentos e tratamentos hospitalares. Mesmo ignorando as questões mais importantes, oferecer este tipo de serviço médico a pedido do paciente e sem justificação médica é um erro com os recursos que temos.
a) basta impedir 1% dos 18,000 e salvamos 180 vidas. Só podemos deitar fora a lei se tivermos a certeza que nem isso ela faz. E essa certeza também é pura fé.
c) não é invenção: basta observares o que se passou na maioria dos outros países europeus e extrapolar. simples. suspeitas podes ter as que quiseres, mas não são de todo relacionadas com o que os dados conhecidos apontam.
b) não é verdade: as IVG legalizadas não serão feitas com "agulhas de tricot" mas com ingestão de fármacos, supervisionadas por médicos especialistas. parece-me que a diferença é absimal.
a) esse "salvar vidas" não tem qualquer sentido como já expliquei em detalhe em posts anteriores sobre a irracionalidade do "não".
Os pro-vidas dormem bem porque tem uma ideologia. As ideologias sao a melhor maneira de evitar pensar nas coisas. Seguem-se e pronto.
A quem é que interessa uma realidade que é complexa, onde não "bons" e "maus" nem há solucoes para os problemas mais dificeis e se tem de negociar constantemente as solucoes em que menos pessoas se magoariam?
Os dados disponíveis contradizem a sua c).
E critica você a Jerónima, hem?
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